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Para conhecer um lugar e a gente desse lugar, é preciso comer sua comida. Na história das sociedades, o viajar esteve sempre associado ao comer. Mas tanto o viajar como o comer adquiriram, nas sociedades contemporâneas, novos significados.

É a esse respeito que nos fala o texto Turismo e gastronomia: uma viagem pelos sabores do mundo, de Janine Collaço. Um convite para uma apetitosa reflexão.

Diversidade, sabores e culturas

O turismo e a gastronomia selaram sua relação ao longo do século XX, quando o hábito de viajar incorporou-se no período de descanso. As férias e os meios de transporte mais eficientes fizeram com que os deslocamentos se tornassem comuns, resultando em um intenso fluxo de pessoas, circulando de um lado a outro.

Nesse ir e vir mais freqüente, o contato com novas paisagens, culturas e sabores despertou interesses variados em torno do evento turístico, e assim foi que a gastronomia ganhou lugar, sobretudo ao atrair um segmento de viajantes interessados em estimular seus sentidos através da experimentação da cozinha do Outro. Embora já fosse prática anteriormente, Culinary Tourism ou turismo culinário (também gastronômico) adquiriria essa nomenclatura somente no final dos anos 1990 (Long, 2004). O que mudou, a partir de então, foi a importância atribuída à gastronomia na viagem, sempre uma forma de experiência de contato com a diversidade cultural.

rue-mouffetard-paris.jpgConhecer pratos, ingredientes, comprar produtos, levá-los para casa... No retorno, a memória é cultivada em torno de imagens e sabores, preferencialmente compartilhados entre familiares e amigos, ressaltando a abertura ao novo e o contraste entre as práticas corriqueiras e aquelas até então desconhecidas, encontradas na viagem. Esse exercício pode ser entendido como uma espécie de manejo estético de códigos culturais, que mostra os limites entre nós e os outros, mas da forma habilidosa que é proporcionada pela comida.

Gastronomia inspira a conservação do Cerrado

Baru. Foto: NandoChefs de cozinha e consumidores do Brasil e exterior se rendem aos sabores regionais e entram na luta pela preservação da savana mais rica em biodiversidade do mundo

A gastronomia está se tornando a mais nova fronteira de conservação do Cerrado brasileiro. De boca em boca, a notícia de que o bioma é um manancial de frutos, castanhas e polpas deliciosos já chegou a mercados importantes do Brasil e do exterior. Além de comprovadamente eficientes para a saúde, as iguarias do Cerrado podem ser adquiridas em comunidades extrativistas, indígenas e de pequenos agricultores apoiados por organizações ambientalistas. Ao comprar dessas comunidades, os consumidores ajudam a manter as famílias no campo produzindo alimentos que não agridem o corpo e nem o meio ambiente. De quebra, colaboram para preservar tradições culinárias, memórias culturais e a biodiversidade.

Receitas com produtos nativos são a última moda em restaurantes descolados adeptos da culinária sustentável. Além de emprestar sabor, cor e charme aos pratos, os produtos do Cerrado também podem entrar no cardápio das crianças nas escolas. Basta que os governos locais adotem políticas de compra baseadas no comércio justo e sustentável e façam seus pedidos nas centenas de associações de produtores organizadas em toda a região, realimentando o ciclo virtuoso.

Entre os dias 16 e 18 de outubro de 2007 acontece em São Paulo a feira ExpoSustentat em paralelo com a BioFach América Latina. Algumas comunidades da rede Terra Madre / Slow Food participam da feira, na Sala Nordeste & Cerrado. Será uma boa oportunidade de conhecer os produtores, seus produtos e projetos do Slow Food, como: Fortaleza do Arroz Vermelho, Fortaleza do Umbu, Fortaleza do Baru, Comunidade do Licuri e Comunidade das Frutas Tropicais.

A ExpoSustentat acontece no Transamérica Expo Center que fica na Av. Dr. Mario Villas Boas Rodrigues, 387 - Santo Amaro - São Paulo, SP.

Mais informações:
www.exposustentat.com.br
www.nordestecerrado.com.br

Aqueles que, há poucos dias, tiveram a oportunidade de participar do Terra Madre Brasil, o encontro das comunidades do alimento, e circular pelo espaço da Feira da Agricultura Familiar, se encantaram com toda a diversidade de saberes e sabores que temos neste nosso País. A reflexão que queremos trazer aqui diz respeito a essa diversidade.

Sabemos que as práticas alimentares são carregadas de significados: alimentamo-nos não apenas de nutrientes, mas também de imaginário. Quando vemos o processo de preparação e consumo de alimentos de um povo distante, lá da Amazônia talvez, nos damos conta de como as práticas alimentares são ritualizadas. Mas será que o gaúcho percebe que o churrasco de domingo é também um ritual? Ou o carioca, quando come uma feijoada, rodeado de amigos e parentes? Tantos são os exemplos que poderíamos lembrar!

Maria Lúcia Barreto Sá descreve, em um belo texto, A quinta do caranguejo, um ritual alimentar, que se realiza não em algum canto longínquo do interior deste Brasil, mas em uma de suas grandes cidades, Fortaleza.

Com isso, podemos observar que os rituais alimentares estão presentes na vida de todos nós. Só que, muitas vezes, nos damos conta dessa dimensão simbólica da alimentação apenas quando olhamos para algo que nos parece exótico... não é mesmo? 


* Renata Menasche é antropóloga, professora e pesquisadora, autora do livro A agricultura familiar à mesa: saberes e práticas da alimentação no Vale do Taquari.

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