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"A inteligência afetiva salvará o planeta". Em visita ao Rio de Janeiro, o líder do movimento Slow Food, Carlo Petrini, se reuniu com o convivium carioca para saborear com reflexão sobre a "multidisciplinar e complexa ciência da gastronomia". O encontro aconteceu no restaurante O Navegador, da chef Teresa Corção, na quinta-feira, 3 de janeiro de 2008. Ao lado da chef Margarida Nogueira, responsável pelo grupo na cidade, a dupla ofereceu um almoço cultural seguido da exibição do documentário Seu Bené vai para a Itália (Manoel Carvalho).

Carlo Petrini em ConservatóriaUm belo dia, pouco antes do Natal chega um e-mail: confidencial e... surpreendente: Carlo Petrini* viria ao Rio, em viagem particular, de férias, logo após o Natal!

Viria para descansar, tomar água de coco, ir a praia... e, na virada do Ano Novo, assistir a famosa queima de fogos na orla do Rio.

Nada de compromissos, entrevistas ou fotógrafos: pernas pro ar, que ninguém é de ferro!!!

Mas, deu a entender que queria saber sobre o movimento no Brasil, sobre os Convivia, quantos associados, o que vem sendo feito.

Gostaria também de dar um passeio na serra para ver algo diferente.

Carlo Petrini*Transcrição da fala de Carlo Petrini*, Rio de Janeiro, 03/01/2008

Me desculpem, mas não falo português! Eu entendo, não como "seu Bené" que dizia non capisco! Io capisco, mas... não sei falar!

Antes de tudo, um agradecimento a este extraordinário comitê de recepção: Margarida, Teresa, Manuel, Maria** e a este meu precioso tradutor, o primeiro estudante** do Brasil que cursou nossa Universidade de Ciências Gastronômicas... o primeiro!

Obrigado pela hospitalidade...

Eu estava de férias! Por uma semana, tranqüilo... E então o Manuel me fez chorar por 1 hora!!!

Porque este filme (Seu Bené vai pra Itália), é uma coisa tocante, importante! Porque mostra bem o conceito e o espírito do Terra Madre!!!

Tomarei poucos minutos para explicar o que é Terra Madre e Slow Food.

Rubens Chaves na frente da roda d'água do seu alambiquePertinho de Tiradentes (MG) há uma cidade chamada Coronel Xavier Chaves. O tal do Coronel Xavier Chaves era bisneto da irmã de Tiradentes, Antônia Rita da Encarnação Xavier. Na pequena cidade, que fica a cerca de 20 quilômetros de Tiradentes, está o mais antigo engenho de cachaça em atividade no país, o Engenho Boa Vista, que produz a cristalina Século XVIII, de propriedade de Rubens Chaves (na foto, na frente da roda d'água do seu alambique), por sua vez bisneto do coronel.

O engenho foi construído em 1755 e, desde então, nunca parou de produzir cachaça artesanal de boa qualidade. Diz a História que o alambique funcionava na fazenda do irmão caçula de Tiradentes, padre Domingos da Silva Xavier. Há pouco mais de 20 anos, Rubens Chaves se aposentou e decidiu trocar Belo Horizonte pela região onde nasceu, comprando de um primo o engenho histórico. Resolveu, então, dar continuidade ao negócio da produção de cachaça, no qual a família está envolvida há sete gerações.

macas"Comer é uma atividade humana central não só por sua freqüência, constante e necessária, mas também porque cedo se torna a esfera onde se permite alguma escolha. Para cada indivíduo, representa uma base que liga o mundo das coisas ao mundo das idéias por meio de nossos atos. Assim, é também a base para nos relacionarmos com a realidade. A comida ‘entra' em cada ser humano. A intuição de que se é de alguma maneira substanciado - ‘encarnado' - a partir da comida que se ingere pode, portanto, carregar consigo uma espécie de carga moral. Nossos corpos podem ser considerados o resultado, o produto, de nosso caráter que, por sua vez, é revelado pela maneira como comemos." (MINTZ, 2001)

A partir da citação reproduzida acima, extraída de um artigo do antropólogo Sidney Mintz, podemos perceber como o tema das escolhas alimentares é central no campo dos estudos em alimentação e cultura.

E é atenta às escolhas alimentares que Manuela Jomori nos leva, em Escolhas de peso, a observar os frequentadores de um restaurante "a quilo" de Florianópolis, Santa Catarina.

Como podemos, a partir da análise da composição e da descrição de seus pratos, apreender algo sobre quem são? O que suas escolhas alimentares comunicam de suas visões de mundo? Essas são algumas das questões que Manuela discute em sua dissertação de mestrado, que deu base ao artigo aqui apresentado. O prato está servido.


Referência: MINTZ, Sidney W. Comida e antropologia: uma breve revisão. RBCS, 16(47), 2001.

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