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Por Patrícia Moll e Glenn Makuta

2018 começou com mais uma vitória para as abelhas sem ferrão e todos que dependem desses polinizadores. Após dois anos de trabalho envolvendo ativistas da rede nordestina do Slow Food Brasil, foi aprovado o Projeto de Lei 21.619/2015, apresentado pelo Deputado Estadual do PCdoB Jean Fabrício Falcão, na Assembleia Legislativa da Bahia no último dia 20 de dezembro. O PL, encabeçado por um grupo de meliponicultores, chefs, universidades baianas, pesquisadores, instituições governamentais, associações e grupos organizados (dentre os quais a Associação de Meliponicultores do Estado da Bahia - AME-BA, Associação Semente do Futuro, Associação Beneficente dos Moradores do Bairro Nova Esperança - ABENE, Associação Sol Nascente de Itaparica, Federação Baiana de Apicultura e Meliponicultura - FEBAMEL), regulamenta a criação, comércio, conservação e o transporte das abelhas nativas sem ferrão (meliponíneos) no estado, tanto em zonas rurais como urbanas, e identifica 54 espécies. A iniciativa tem por objetivo fortalecer a cadeia produtiva do mel e o aumento da renda de agricultores familiares. É o quinto estado do país a legalizar este tipo de atividade, ao lado do Amazonas, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Além do manejo e transporte, também será permitida a implantação de meliponários, visando atender às finalidades socioculturais, pesquisa científica, fomento, educação ambiental, conservação, exposição, reprodução e comercialização de seus produtos e subprodutos, como mel, pólen e própolis, para consumo próprio ou para comércio no âmbito da Bahia.

Entende-se por meliponicultura a atividade de criação técnica de abelhas nativas sem ferrão (ANSF), de utilidade pública, de interesse para o meio ambiente e para a agricultura familiar e empresarial. Considerados polinizadores das plantas nativas, essas abelhas também são conhecidas popularmente como abelhas-da-terra, abelhas indígenas ou abelhas brasileiras.

Atualmente, milhares de famílias criam abelhas sem ferrão em toda a Bahia, por isso a importância de se estabelecer os critérios para sua criação, principalmente por se tratar de animais silvestres componentes da fauna brasileira. Atualmente, registra-se na Bahia 7 de espécies de abelhas sem ferrão identificadas na Arca do Gosto: munduri, jataí, moça branca, mandaçaia, jandaíra e tiúba, além da Fortaleza Slow Food do Mel de Abelha Mandaçaia-da-Caatinga.

cópia de Captura de Tela 2018-02-14 às 17.46.39.pngIlustração manual de Boas práticas para o bem-estar das abelhas nativas sem ferrão

Ficam facultadas à Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA) e à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) de realizar o controle, a fiscalização e a conservação das abelhas nativas na natureza, em seu habitat natural, em troncos ou caixas racionais.  

A criação racional de abelhas nativas sem ferrão é uma atividade passada de geração a geração no Brasil, podendo ser considerada como patrimônio cultural dos povos do campo e também urbanos, pois devido à constante migração do campo para a cidade, as abelhas nativas acompanharam essas famílias, e, atualmente, têm representado uma alternativa de renda.

“Tenho certeza que a aprovação da lei da meliponicultura trará bons resultados sociais, ecológicos e culturais para a nossa Bahia. Acredito que os méis das nossas abelhas nativas terão destaque na lista dos ingredientes identitários que ajudará a formar “a nova cozinha baiana”. É um produto de grande potencial para o nosso turismo gastronômico”, acredita o chef e membro da Aliança dos Cozinheiros Caco Marinho, ativista desta articulação junto com Revecca Tapie, faciliatora do Slow Food Brasil para a região Nordeste, a SDR, Secretaria de Desenvolvimento Rural, em especial o Secretário Jerônimo Rodrigues, além de Pedro Viana, Conselheiro da Câmara Setorial e representante dos produtores, e Genna Souza, Bióloga e Doutora em meliponicultura, Prof. Carlos Alfredo e Rogério Alves, da UFRB, Paulo Cézar, da UESB, entre outros.

A lei 13.905 foi promulgada pela Assembleia Legislativa da Bahia e no dia 29 de janeiro de 2018 foi finalmente publicada no Diário Oficial da Bahia, oficializando a lei.

Documentario Quindim de PessachQuindim de Pessach foi produzido a partir de prêmio recebido na edição de 2009 do Etnodoc, projeto conduzido pelo Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular e pelo Departamento de Patrimônio Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que buscou estimular a produção de documentários etnográficos sobre patrimônio cultural imaterial.
Pessach, ou “Páscoa Judaica”, marca a comemoração da libertação do povo de Israel da escravidão, no antigo Egito. O quindim, de origem portuguesa, hoje considerado bem brasileiro, foi introduzido na mesa de Pessach de uma das famílias entrevistadas no documentário por sua cozinheira, que percebeu que os ingredientes da receita não desrespeitam as prescrições alimentares que marcam o evento religioso.
Com delicadeza, o documentário mostra o encontro, por meio da culinária, da cultura judaica com a brasileira, apresentando a relação e a transmissão de conhecimentos entre matriarcas judias e cozinheiras brasileiras. O aprendizado, como mostrado, não se dá somente através das receitas, mas pela comunicação de tradições e costumes, festivos ou religiosos. O filme mostra as cozinheiras se apropriando dos costumes de seus patrões, ao mesmo tempo em que introduzem conhecimentos próprios a suas origens e trajetórias à cozinha judaica, participando também da transmissão de antigos saberes às novas gerações. Identifiquei-me incrivelmente com estas cozinheiras, pois minha história de vida é marcada por uma apropriação cultural a partir da culinária.

Por Danielle Nagase e Glenn Makuta

A produção queijeira em Santa Catarina conquistou, no mês passado, uma importante vitória sobre seus queijos de leite cru. No dia 16 de janeiro, o governador João Raimundo Colombo (PSD) sancionou a Lei 17.486/2018, que permite a produção e comercialização destes produtos em Santa Catarina. O texto, apresentado pelo deputado João Amin (PP), foi elaborado por pesquisadores e ativistas do movimento Slow Food Brasil com o envolvimento de produtores interessados.

A partir dessa data, passa a ser considerado artesanal todo queijo produzido com leite cru – isto é, não pasteurizado – extraído na própria fazendo (ou em propriedades rurais próximas), com métodos tradicionais, vinculação ao território de origem e cuja produção atenda às normas sanitárias pertinentes. Por serem feitos com leite cru os queijos carregam características do território (terroir) catarinense. Além disso, o modo de fazer e a receita também conferem aos laticínios aparência e sabor específicos.

Para se enquadrarem na categoria artesanal, os queijos não podem apresentar qualquer outro ingrediente na composição que não sejam condimentos e corantes naturais, coalho, sal, fermentos e outras substâncias de origem natural. Aditivos descritos nas receitas originais também são permitidos, assim como o uso de utensílios de madeira (desde que estejam em boas condições) nos processos de fabricação e maturação, como manda o costume regional.

“Além de preservar os modos tradicionais de saber fazer, a lei protege a cultura da região, que poderá ter sua história continuada com regras simples e acessíveis ao produtor artesanal, garantindo o futuro dos queijos artesanais de Santa Catarina, que hoje estão na Arca do Gosto”, afirma Michelle Carvalho, ativista do movimento Slow Food Brasil e defensora dos queijos artesanais.

Texto publicado originalmente no Ponto de Cultura Engenho de Farinha

Quanto custa a produção artesanal de um quilo de farinha de mandioca? Desvendar este mistério foi o objetivo da oficina de precificação realizada nos dias 2 e 3 de dezembro de 2017 no Engenho da Associação Comunitária Rural de Imbituba (ACORDI). A atividade foi o primeiro encontro da Fortaleza Slow Food Engenhos de Farinha, formada no escopo do Projeto Alimentos Bons, Limpos e Justos: ampliação e qualificação da participação da agricultura familiar brasileira no Movimento Slow Food, articulado pela UFSC com apoio da Secretaria Especial da Agricultura Familiar e em que a equipe do Ponto de Cultura Engenhos de Farinha participa ativamente. A oficina foi facilitada por Andrea Fantini, professor de Marketing Agroalimentar da Universitá degli Studi di Teramo (Unite – Itália), e reuniu cerca de 20 engenheiras e engenheiros.

Questões como “Por que uma farinha do mercado custa R$ 4 e a nossa farinha custa R$ 8?” foram levantadas para perceber o diferencial da farinha artesanal ante à farinha industrial. Foram tirados encaminhamentos para a próxima oficina, como montar um calendário onde cada agricultor irá colocar o tempo investido em cada processo de produção da mandioca e beneficiamento da farinha, além de estratégias de marketing formas de comunicação mais transparentes com o mercado consumidor. “É importante que os consumidores entendam o valor não somente monetário que existe na farinha artesanal”, afirma Giselle Miotto, facilitadora na Região Sul do Movimento Slow Food.

 

thelunchbox 1Situado em Mumbai, Lunchbox (2013) é um filme indiano dirigido por Ritesh Batra. São dois os personagens principais, que acabam se envolvendo em um romance platônico através de cartas, enviadas por meio de viandas, isso em um contexto em que, a cada dia, esposas costumam mandar, via entregadores, comida a seus maridos, que estão no trabalho.
Ila é uma esposa negligenciada em seu casamento, enquanto que Saajan Fernandes é um viúvo amargurado e prestes a aposentar-se. Em um ambiente de mudança tecnológica, é a partir de um erro no sistema de entrega de viandas que os caminhos dos dois se cruzam e que começam a relacionar-se.
Em uma tentativa de chamar atenção do marido, Ila lhe prepara um almoço especial. No entanto, ao retornar à casa, no final do dia, ele não faz qualquer comentário a respeito, levando-a a cogitar que a comida pudesse ter ido a destinatário errado. Para confirmar sua suspeita, no dia seguinte Ila manda uma carta junto com a vianda. Sr. Fernandes, que recebeu o almoço, responde apenas “hoje a comida estava muito salgada”... e assim o diálogo começa. Dessa forma, duas pessoas solitárias passam a comunicar-se e a envolver-se, a partir da alimentação. Sem que nunca tenham se visto e relacionando-se apenas através das cartas que acompanham as viandas, Ila capricha nas refeições para Saajan, chegando a cozinhar seu prato favorito, berinjelas recheadas. O filme retrata bem o simbolismo e o potencial comunicativo da comida nas relações em que vivemos, como parte de nossa cultura.

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