Slow Food Brasil

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07/08/2009 - Atualizado em 08/08/2009 - Época on line

Confira uma lista de ingredientes que quase saíram do mapa, mas estão sendo salvos por ações da Slow Food Foundation.

O lardo di Colonnata, uma espécie de bacon da Itália, quase foi extinto e hoje é tão famoso que já chegou a sofrer falsificação. O queijo cheddar da Inglaterra não chegou a ser falsificado, mas seu método de produção foi totalmente desvirtuado pela indústria de laticínios. A receita original, feita artesanalmente, resulta num produto curado e amarelo claro, que em nada lembra o queijo alaranjado que vemos nos refrigeradores dos supermercados. Esses são dois exemplos de alimentos tradicionais específicos de uma determinada região do mundo que foram "salvos" pela Slow Food Foundation, depois que entraram na Ark of Taste (Arca do Gosto). "A ideia da Arca era fazer um catálogo e chamar a atenção para os produtos que estão desaparecendo", diz Mariana Guimarães Weiler, que representa a América Latina no escritório da Slow Food na Itália.

Mercados da Terra, um projeto do Slow Food

Come-se , por Neide Rigo

O encontro da liderança brasileira do Slow Food que aconteceu neste último final de semana em Porto Alegre e Antonio Prado, no Rio Grande do Sul, tinha o propósito de apresentar, e discutir sobre sua implantação no Brasil, o projeto Mercados da Terra ou Mercatti della Terra, nova menina dos olhos da Fundação Slow Food para a Biodiversidade.

O seminário foi apresentado pela Coordenadora do Slow Food na América Latina, Lia Poggio, e Roberta Sá, Coordenadora dos Projetos do Slow Food no Brasil, e envolveu líderes de 11 Convivia além técnicos, agricultores, jornalistas (Juliana Dias, do site Malagueta, Priscilla Santos, do Guia Verde e eu, do Come-se). Este evento do Slow Food aconteceu junto com outro encontro, o da Cooperativa Sem Fronteiras, promovido pelo Instituto Morro da Cutia de Agroecologia, com o apoio da Secretaria de Desenvolvimento Territorial (SDT) do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).  Leia Mais no Come-se.

O movimento Slow Food deu início ontem às atividades de comemoração do segundo ano de atuação em Piracicaba.
Cerca de 300 pessoas passaram pela banca do grupo, montada no Varejão Central, no evento denominado Chefes na Feira. Foram preparados no local pratos com taioba, limão, abacate, entre outros ingredientes.

O objetivo do Slow Food é resgatar a cultura dos alimentos, as tradições regionais e o hábito saudável do preparo caseiro dos pratos. O uso de produtos de origem conhecida e produzidos de forma orgânica, inclusive nas residências, segundo Ninfa Barreiros.

A professora de gastronomia da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), Mariana Maronna, foi uma das chefes que participou do evento. Integrante do Slow Food, ela informou que a maioria das pessoas que foram até a banca perguntou sobre os ingredientes, modo de fazer e também sobre o movimento.

Para Nadir de Melo, 66, saborear no varejão um alimento feito de taioba, planta que ela tem em casa, foi uma surpresa. "Planto a taioba no quintal porque sei que ela é um vegetal que substitui proteína. Também planto berinjela, temperos, jiló, quiabo, pimentão. Só não tenho couve porque dá lagarta", disse.

Essa tradição de Nadir também se mantém com a sobrinha Marta de Mello, 43. Elas fazem questão de manter no quintal uma área de terra onde plantam ervas para chás, como alecrim, melissa, erva de santa maria e pimenta dedo-de-moça. "Tudo que cultivamos, usamos na alimentação".

A professora de francês, Catherine Degoulet, 39, estava na feira alimentando seu filho, Jules Inti, 18 meses, com o Spätzle de Taioba, como uma massa de nhoque. Ele repetiu duas vezes. Ela é integrante do slow food e aprova a possibilidade do resgate das tradições culinárias, ligado a um lugar específico. "O movimento não é só comida. É saber qual a origem dos alimentos contribuir com a tradição do cultivo orgânico. Além de ser saudável, aumenta a opção de alimentos que podemos oferecer para as crianças", afirma.

Na feira ontem, Maria Emília Ercolin, 68, conheceu o preparo do abacate salgado, o Guacamole. Ela revelou que tem diabetes e mantém uma alimentação controlada. "Gostei dos pratos e estou levando as receitas porque são opções a mais".

De acordo com Ninfa Barreiros, integrante do movimento, quatro produtores também participaram do evento. Eles puderam ter contato com os compradores e apresentar seus produtos orgânicos.

Movimento slow food mostra que comida pode ser saborosa e sustentável
(publicado no caderno de Sustentabilidade do Estadão de 16 de abril de 2009)

SÃO PAULO - A tendência do slow food na gastronomia aos poucos começa a ficar conhecida no Brasil. O movimento, que surgiu na Itália ainda na década de 1980 com o objetivo de fazer oposição ao fast food e à comida industrializada, além de resgatar o prazer de comer bem e sem pressa, também começa a seduzir por seu apelo sustentável.Entre os preceitos do movimento, hoje já presente em 150 países, estão o resgate dos alimentos frescos, de preferência orgânicos, livres de pesticidas e hormônios. Ele preconiza também o respeito à sazonalidade do alimento: consumir morango em época de morango, por exemplo. E a valorização da culinária e dos ingredientes regionais. Na prática, cozinhar com o que se tem localmente, não apenas com ingredientes que viajam quilômetros para chegar à mesa e assim geram emissões de CO2 na atmosfera. Uma espécie de "desglobalização" da gastronomia.

 

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