Slow Food Brasil

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O Brasil, um dos países mais ricos do mundo em biodiversidade, está apenas na metade da descoberta de seu potencial gastronômico e patrimônio alimentar. A afirmação foi feita pelo jornalista italiano Carlo Petrini, presidente do slow food, que realizou sua primeira visita a Brasília para participar de atividades ligadas ao movimento que ele fundou 20 anos atrás. A reunião, que contou com 600 participantes, foi a segunda no Brasil do Terra Madre, o braço mais expressivo do slow food. A primeira edição do Terra Madre Brasil, aconteceu em 2007 também em Brasília. 

Na opinião de Carlo Petrini vivemos um momento de crise econômica, energética e agrícola e o futuro da alimentação exige mudanças nos hábitos de consumo pois a maior parte dos danos que a nossa terra sofreu até agora se deve à produção de alimentos

O poder que o consumidor possui simplesmente pelo fato de escolher diariamente o próprio alimento é inacreditável: exercitá-lo com consciência e responsabilidade e um dever, um ato de civilidade, em relação a si próprios, às próprias famílias, às próprias comunidades e aos próprios povos"; afirma Carlo Petrini, presidente do movimento Slow Food.

Na entrevista abaixo, ele considera que "estamos vivendo tempos muito difíceis" e que "é necessário redefinir todo o sistema atual, baseado no consumo": Afirma ainda que "o bom, o limpo e o justo são os três adjetivos que definem em modo elementar as características que deve ter um alimento para responder a exigências de nós, ecogastrônomos" e que a principal via pela qual realiza "um percurso em relação ao bom, Iimpo e justo é aquela da economia para o re-posicionamento dos consumos e das produções agrícolas".

Carlo Petrini é italiano, estudou sociologia na Universidade de Trento e logo se envolveu com a política local e com o trabalho associativo. Entre suas muitas criações está a Universidade de Ciências Gastronômicas, em Pollenzo e Colorno, a primeira instituição acadêmica a oferecer um acesso multidisciplinar nos estudos da alimentação; e ele também que está por trás do Terra Madre, fabuloso encontro de 5.000 produtores de todo o mundo, ocorrido em Turim, para discutir problemas comuns e suas possíveis soluções.

O seu último trabalho Buono, Pulito e Giusto. Principi di uma Nuova Gastronomia (Bom, Limpo e Justo. Princípio de uma Nova Gastronomia) foi publicado em 2005 pela editora Einaudi e em 2009 foi traduzido para o português pela Editora SENAC de São Paulo (Brasil) com o título "Slow Food, princípios da nova gastronomia". No livro, Petrini descreve o desenvolvimento da teoria da "ecogastronomia". O livro também foi traduzido para o inglês, francês, espanhol, alemão e polonês. Em 2001, seu Iivro Le ragioni del gusto (As razões do gosto) foi publicado pela Laterza e em 2003 foi traduzido para o inglês como The Case for Taste pela Columbia University Press. Em janeiro de 2008 foi o único italiano a aparecer na Iista das ‘50 People Who Could Save the World' (50 pessoas que poderiam salvar a mundo) realizada pelo prestigiado jornal Inglês The Guardian.

A entrevista é da revista Camponesa. Revista da Associação de Apoio às Comunidades do Campo do Rio Grande do Norte - AACC/RN, ano 1, no. 1, novembro de 2009.

Eis a entrevista:

Livro Slow Food - princípios da nova gastronomia

*texto de Sauro Scarabotta 

Bom, Limpo e Justo

É nessas três palavras que o livro Slow Food, princípios da nova gastronomia, do italiano Carlo Petrini, se apoia. O autor fundou, em 1986, o movimento Slow Food, em contraposição à crescente expansão da fast-food, filosofia americana caracterizada pelo consumo rápido e, muitas vezes, demasiado.

Petrini, por tudo o que fez em todos estes anos, recebeu vários prêmios. Nasceu em 1949, na Itália, em um território com grande vocação agrícola chamado Langhe, onde se produzem alguns dos melhores vinhos do mundo. 

Embora não conheça Carlo Petrini pessoalmente, quando leio sobre suas raízes faço muitas analogias com as minhas. A Úmbria, região onde fica minha cidade natal, Gubbio, também tem ligação muito forte com a terra e com suas tradições.

O livro de Carlo Petrini aborda a necessidade de uma transformação global para obtermos um mundo mais justo por meio da comida e da figura do gastrônomo, que é aquele que dá importância maior que os demais à comida e é uma espécie de líder. Seu objetivo, juntamente com cozinheiros profissionais, é sensibilizar a opinião pública por meio da comida e do vinho, e, dessa forma, difundir o consumo consciente dos produtos, que deveriam ter rotulagem muito mais completa e informativa.

O site Paladar do Estadão publicou reportagem sobre o Licuri:

Preste bem atenção nesta noz no meio da página porque você ainda vai ouvir falar muito dela. Com textura naturalmente crocante e sabor intenso (de coco, com um toque acentuado de castanha), está dando sinal de que vai logo entrar na moda, pelo menos na alta gastronomia. Não faltam atributos a esse coquinho de apenas 1,5 cm chamado licuri, mas conhecido também como ouricuri, aricuri e pelo menos lisonjeiro apelido de coquinho-cabeçudo.

Ele é bem versátil e prestativo. Fica bom doce ou salgado, verde ou maduro. Dele se fazem leite e farinha. E da noz se extrai um azeite muito perfumado, que serve tanto como ingrediente quanto para finalizar saladas, pratos e doces. O licuri é um coquinho nativo do semiárido baiano - encontrado também no norte de Minas Gerais, Alagoas e em Pernambuco. Do alto dos quase dez metros da palmeira Syagrus coronata, conhecida como palmeira solitária, pendem cachos com cerca de 1.400 coquinhos. Uma árvore sustenta, de uma vez, até oito cachos.


Clique e leia a matéria completa no Estadão
 

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