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Revista MoodLife publica matéria sobre Slow Food:

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Considerado pelo jornal The Guardian uma das 50 pessoas que podem salvar o planeta, o fundador do movimento Slow Food esteve no Brasil para disseminar a importância da agricultura sustentável e das culturas locais - acredite ou não, isso pode até salvar o planeta.

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Calma. É isso o que vem pedir Carlo Petrini. Calma para respirar, para fazer escolhas conscientes e para conhecer o lugar e as tradições do lugar onde você mora. O fundador da Slow Food Foundation, com sede na cidade italiana de Bra e presente em 132 países, não quer apenas que as pessoas comam devagar. Ele quer mandar uma mensagem contra o consumo massificado e a agricultura industrializada. Ele defende a comida da vovó, a horta do vizinho, o cultivo e a produção de produtos genuínos e a valorização desses produtos nos mercados regionais. Petrini não se vira contra o novo, mas contra o que é artificial. "Ferran Adrià é um gênio, um Picasso", ele diz. Mas nem todo mundo pode ser um Picasso.

Ele é contra plantações de espécies híbridas resistentes a pragas, que quase extinguiram o pimentão quadrado d'Asti da região do baixo Piemonte (leia mais sobre alimentos que correm risco de extinção). Carnuda, perfumada e saborosa, essa variedade de pimentão foi trocada por pimentões holandeses sem gosto, mais rentáveis e baratos, como você pode ver na animação no meio desta reportagem. É contra isso que ele luta.

Em sua visão, a alimentação contemporânea agroindustrial é a grande responsável pela destruição do planeta. Somos em sete bilhões, produzimos comida para 12 bilhões e ainda um bilhão passa fome. "Mais da metade do que produzimos é jogado no lixo. No sistema consumista, só conta o preço, e não o cuidado, a produção e o modo de conceber os alimentos", afirma. Você acha tudo isso uma bobagem? Petrini foi indicado pelo jornal inglês The Guardian, em 2008, como uma das 50 pessoas que poderiam salvar o mundo.

Petrini defende que a gastronomia é uma ciência complexa. Nas escola e faculdades onde ela é ensinada, os alunos deveriam aprender física, agricultura, antropologia, história, economia e química. Dessa maneira, sairiam de lá gastrônomos competentes e comprometidos com uma comida "boa, limpa e justa" – os três pilares da Slow Food. Construir uma horta nas escolas e universidades é o primeiro passo (clique e saiba como). "Tirem 10 vagas do estacionamento, quebrem o asfalto, coloquem terra e um pouco de estrume, plantem tomates, feijões, verduras. Se alguém reclamar que não tem vaga, ganha um tomate!", diz Petrini, bem humorado. Para ele, o Slow Food tem que ser divertido.

Carlo Petrini veio ao Brasil na semana passada para participar do Terra Madre, evento da Slow Food Foundation, e lançar seu livro Slow Food – princípios da nova gastronomia, publicado em 2005, mas só traduzido para o português agora. Confira a entrevista abaixo.

Confira entrevista:

O movimento Slow Food nasceu na década de 1980, na Itália, mas só de poucos anos para cá se tornou conhecido no Brasil. O marco que simboliza seu surgimento foi um protesto realizado na capital do país, Roma, contra a instalação de um McDonald's em plena Piazza di Spagna, no centro histórico da cidade. O engajamento de parte da população nessa causa não foi suficiente para impedir a abertura da loja, mas deflagrou a mobilização de um número crescente de pessoas não apenas descontentes com tudo o que o fast food representa, mas preocupadas em valorizar tradições culinárias regionais e em saber como as escolhas alimentares podem ajudar a melhorar o mundo. Hoje, são cerca de 100 mil pessoas envolvidas nessa causa no mundo todo, inclusive no Brasil. O fundador desse movimento, o italiano Carlo Petrini, esteve no país para participar do Terra Madre, encontro que reuniu em Brasília pequenos produtores, artesãos, consumidores e chefs de todas as regiões do país; o debate Entre estantes & panelas, em São Paulo; e palestra no Centro Universitário Senac, também na capital paulista.


Caderno Paladar / Estadão

Índios defendendo o juçara, análise sensorial, cordel do licuri, degustação de cambuci, dignidade rural. Paneiro feito com talo de arumã utilizado para guardar farinha. No cadinho gastronômico-antropofágico Terra Madre Brasil, Macunaíma estaria em casa

Quem foi a Turim participar do Terra Madre diz que o encontro internacional é uma verdadeira babel. Faz sentido, já que ali impera a diferença de culturas (cada um com sua língua, vestimentas e comidas) e de classes - produtores, chefs e acadêmicos.

Mas, guardadas as proporções, o que se viu em Brasília no fim de semana de 20 e 21 de março de 2010 não foi tão diferente disso. O Terra Madre Brasil foi o lugar do encontro e do convívio. Quando você está na confortável zona da língua portuguesa, ainda que cantada nos mais variados sotaques, três índios entram no elevador do hotel para lembrá-lo da diversidade. Eram jovens das reservas de Guarani Silveira e Boa Vista conversando em guarani. Estavam ali para defender o ameaçado palmito-juçara.

Especial para O POPULAR

Brasília - Em uma segunda edição mais madura e produtiva que a primeira, o Terra Madre Brasil reuniu mais de 500 pessoas no último fim de semana, em Brasília. O objetivo foi promover a articulação entre os membros da rede de mesmo nome, formada por pequenos produtores agrícolas, chefes de cozinha e acadêmicos, além de associados ao movimento Slow Food, que promoveu o evento. Os temas discutidos iam desde a educação alimentar, passando pelo consumo consciente e o estabelecimento de formas de comercialização de alimentos.

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