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O fundador do movimento Slow Food sustenta: buscar uma alimentação prazerosa e em equilíbrio com a natureza é uma atitude política. O problema é que a velha tradição militante ainda despreza a complexidade e beleza do ato de comer. Veja o artigo publicado no Le Monde Diplomatique

Carlo Petrini 

Minha tese é simples: a gastronomia pertence ao domínio das ciências, da política e da cultura. Contrariamente ao que se acredita, ela pode constituir uma ferramenta política de afirmação das identidades culturais e um projeto virtuoso de confronto com a globalização em curso.

Porque não há nada de mau em apreciar os prazeres da boca, base fundamental do saber gastronômico e elemento essencial da qualidade de vida. O movimento Slow Food foi criado "pela defesa e pelo o direito ao prazer de se alimentar-se. Alguns militantes, freqüentemente os de esquerda, ficam chocados com tais afirmações, que eles associam à "decadência burguesa" ou ao "epicurismo degenerado". Alguns esclarecimentos são, portanto, necessários.

A edição de maio de 2010 da Revista Vida Simples publicou artigo sobre a Arca do Gosto:

Não só animais estão ameaçados de extinção. No Brasil, há diversos alimentos perigando desaparecer – levando junto tradições culturais e memórias gastronômicas

No caminho para casa, Carlo decidiu parar no restaurante de um velho amigo com o intuito de se recuperar de uma extenuante viagem com o afago de um prato de peperonata, ensopado italiano salpicado por um pimentão doce e carnudo da variedade “quadrado d’Asti”. Para seu desalento, o que provou foi o empobrecimento do gosto daquela receita dos deuses, sendo que a qualidade do chef era inquestionável. Decepcionado, descobriu que aqueles pimentões perfumados e polpudos que povoavam sua memória gustativa quase não eram mais produzidos na região. No lugar deles, variedades insossas cultivadas em larga escala na Holanda haviam extorquido a originalidade da receita. “São mais baratos e ninguém compra os nossos”, lhe explicou, mais tarde, um ex-produtor dos pimentões de Asti, que sorriu ao dizer que agora cultiva bulbos de tulipas e os envia à Holanda para florescer.

A concorrência dos alimentos produzidos em larga escala é apenas uma das causas que colocam cerca de 800 produtos em uma lista mundial de alimentos em risco de desaparecer. Isso mesmo: assim como animais, ingredientes também podem estar em processo de extinção, afinal, são frutos da natureza. O catálogo internacional chama-se Arca do Gosto, numa referência à metáfora bíblica da Arca de Noé. Foi elaborado e é atualizado constantemente por chefs de cozinha, agrônomos, cientistas da alimentação, jornalistas e antropólogos, que se voluntariam em um projeto da Fundação Slow Food pela Biodiversidade, presidida por Carlo Petrini, o Carlo, que não se conformou com o sumiço dos pimentões de Asti.

Para entrar na lista, um ingrediente ou alimento processado precisa não só estar em risco de sumir do mapa mas ter sabor especial, ser produzido em pequena escala de forma artesanal e estar ligado à memória e à identidade dos habitantes de certa região. “Para mim, como italiano, perder um queijo é como amputar uma igreja gótica ou um castelo medieval, pois gerações de pessoas trabalharam com esse alimento, é um patrimônio identitário, sem ele somos pobres”, diz Petrini.

O Diário do Nordeste publicou a segunda parte de sua rica reportagem sobre o II Terra Madre Brasil:

 

Veja alguns trechos desta parte da reportagem:

 

O Diário do Nordeste publicou rica reportagem sobre o II Terra Madre Brasil, veja a primeira parte:

A Revolução do Caracol
Clique para baixar o arquivo em PDF e ler a primeira parte completa da reportagem

Confira alguns trechos desta parte da reportagem: 

Carlo Petrini, fundador do Slow Food, esteve no Brasil em março de 2010 para o encontro Terra Madre Brasil, realizado em Brasília. Para ele, País tem tesouros gastronômicos esperando para ser descobertos.

 

O tempo do mero consumo acabou, e os que exercerem seu poder de escolha, optando por alimentos bons, limpos e justos, não serão só consumidores, mas coprodutores. É o que defende o italiano Carlo Petrini, fundador e diretor do Slow Food.

"Isso não significa que todos devam mudar para o campo e cultivar a própria comida, mas o link original com a fonte de nossa alimentação pode e deve ser restabelecido", diz Petrini . "Basta nos educarmos, conhecendo os produtos, os produtores e osmétodos para nos alimentarmos melhor e poluirmos menos."

Leia, a seguir, trechos da entrevista concedida ao Paladar:

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