Slow Food Brasil

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Dentro de poucos dias, os governos do mundo inteiro se reunirão em Paris para falar sobre mudanças climáticas. Depois de mais de 20 anos de debates, negociações e fóruns fracassados, a conferência de Paris (COP 21) tentará concluir, pela primeira vez, um acordo vinculante e universal.

Nas 54 páginas do texto das negociações (http://unfccc.int/resource/docs/2015/adp2/eng/11infnot.pdf), porém, o termo “agricultura” está totalmente ausente, embora o tema da segurança alimentar seja mencionado muitas vezes. Uma lacuna gravíssima, segundo o Slow Food.

A ausência dessa palavra significa relegar às margens do debate uma questão que, ao contrário, é fundamental: a relação entre alimentos e clima. Dependendo do sistema de referência, a agricultura, a pecuária e a produção de alimentos podem representar várias coisas: de um lado, uma das principais causas das mudanças climáticas; de outro, uma das vítimas; de outro ainda, uma das soluções possíveis. O fato da atenção estar voltada para os segmentos de energia, indústria pesada e transportes significa não reconhecer o papel-chave da agricultura.

Grupo apresentou moção em defesa da cultura alimentar do país. Evento reuniu mais de duas mil pessoas, durante quatro dias, em Brasília

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Com o tema “Comida de verdade no campo e na cidade”, a 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CNSAN) reuniu em Brasília, de terça, 03, a sexta-feira, 06,  cerca de duas mil pessoas – entre delegados, convidados e observadores – para discutir o a Política e  o Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. O Slow Food Brasil, como movimento da sociedade civil, não poderia ficar de fora. Assim, mais de 20 membros do movimento, das cinco regiões do país, participaram do evento como delegados, convidados e observadores.

O Slow Food é um movimento de ecogastronomia constituído de uma associação sem fins lucrativos fundada por Carlo Petrini, na Itália, em 1989. Está presente em mais de 150 países e chegou ao Brasil em 2000. Nasceu em contraposição ao fast-food e a fast-life, modo de vida da sociedade industrial, onde tudo é massivo e padronizado.

Defende o alimento bom, que é saboroso, fresco, de qualidade e capaz de estimular e satisfazer os sentidos; limpo, que não exije da natureza mais do que ela pode prover nem prejudique a saúde humana; e justo, respeitando a justiça social, pagamentos e relações justas para todos os envolvidos em toda cadeia de produção, distribuição, consumo e descarte de alimentos.

Acreditamos que, ao treinar nossos sentidos para compreender e apreciar o prazer que o alimento proporciona, também abrimos nossos olhos para o mundo. Atuamos principalmente em três eixos: defender a biodiversidade e cultura alimentares, difundir a educação do gosto e repensar o sistema alimentar a partir da aproximação dos produtores e co-produtores (como definimos os consumidores informados e empoderados). Isso é obtido por meio de iniciativas, eventos e projetos como Arca do Gosto, Terra Madre e Fortalezas. É reducionista e limitada a percepção que alguns atores da cena gastronômica ainda têm do movimento insistindo em vincular o movimento Slow Food à pessoa do seu fundador, Carlo Petrini, ou apenas à aspectos  hedonistas e secundários de uma rede complexa e horizontal de voluntários comprometidos com as causas do movimento.

A diversidade daqueles engajados no Slow Food é muito ampla: do cozinheiro ao ativista, do pesquisador ao agricultor familiar, das comunidades tradicionais aos empreendedores, de produtores a co-produtores alinhados com a filosofia do alimento bom, limpo e justo e interessados em fomentar uma alternativa ao sistema alimentar predominante. Todas essas partes formam a Rede Terra Madre, de alinhamento global e atuação local, adaptando-se às identidades e necessidades únicas de cada realidade.

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O Slow Food Brasil participou da primeira edição do Terra Madre Jovem, que ocorreu de três a seis de outubro, em Milão, na Itália, e reuniu cerca de 2500 jovens produtores, cozinheiros e ativistas de 120 países. O evento teve como tema "We Feed the Planet" (Nós Alimentamos o Planeta), em resposta à realização da EXPO, exposição universal que teve como tema “nutrir o planeta” e como principais patrocinadores multinacionais do ramo alimentício.

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O Slow Food Brasil assinou nesta terça-feira (13), em Belo Horizonte, um termo de acordo de cooperação técnica com a Secretaria de Desenvolvimento Agrário de Minas Gerais, que visa fortalecer as cadeias de produção sustentável da Agricultura Familiar no estado, valorizar o trabalho das comunidades e povos tradicionais e incentivar a alimentação saudável, boa, limpa e justa através da educação ao gosto e dos circuitos curtos de comercialização.

O acordo prevê que nos próximos 90 dias será elaborado, em conjunto, um Plano de Ação para o estabelecimento dos objetivos específicos, metas, linhas de atuação e o cronograma de atividade.

Confira na íntegra o texto apresentado durante a cerimônia:

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