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Amendoa de Licuri (Foto: Dodesign-s)

Quer ver um gosto presente na memória afetiva de quem viveu a sua infância no interior da Bahia? Licuri, o bom e velho “coquinho”.

Se tinha uma coisa que me fazia feliz era chegar à feira de sábado na cacunda do meu pai e avistar logo aquelas pencas enormes de colares de licuri pendurados abundantemente em muitas barracas. Gente, era muito licuri! Quanta riqueza!

Meu pai sabia que o grande lance era comprar o meu colar antes de qualquer coisa, pois além de me alimentar e fazer feliz, eu me distraía rodando aquele rosário no pescoço enquanto roía coquinho a coquinho, como quem reza um terço.

O tempo passou, e apesar de sofrer ameaça de extinção, o licuri fez história. Evoluiu, expandiu-se em muitas possibilidades e desdobrou-se em produtos derivados. De sua amêndoa extraiu-se delicado azeite e delicioso leite, que substitui com mérito o leite de coco da muqueca, além de sua pecaminosa versão de leite condensado; do seu casamento com o mel de sua própria abelha polinizadora, nasceu delicioso creme para o recheio de finos beijus. E foram tantos casamentos! Com aipim, umbu, milho e rapadura. E foram tantas versões! Granoli, paçoca, licor, geladinho. Ah! E vejam só, apeteceu até mesmo respeitados chefs que criaram sofisticados pratos com o licuri, que acabou viajando para outras plagas cosmopolitas.

Por trás de toda essa história, mulheres dos territórios baianos de Piemonte da Diamantina e Bacia do Jacuípe. Ou melhor, gerações de mulheres extrativistas e quebradeiras de licuri, uma forte tradição e também fonte de renda. Mulheres que criaram técnicas e receitas com licuri, agora compartilhadas com todos.

É com muito orgulho e alegria que o Slow Food, em cooperação com o FIDA, apresenta Comida com Gosto de Licuri, um pequeno grande livro das receitas criadas e preparadas por estas mulheres nas festas regionais do licuri.

Sua poética e vocabulário tão rico e lindo e distinto, foram cuidadosamente preservados com a organização de um glossário afetivo que vai tocar o seu coração e levar você para junto delas na labuta de quebra dos licuris a pedra, enquanto entoam juntas as suas cantigas regionais.

O Licuri se tornou uma Fortaleza Slow Food, e desde então se intensificaram as atividades de educação ambiental, preservação e resgate de tradições, e promoção dos produtos feitos com esse delicioso coquinho.

Mas você também pode ajudar, valorizando a agrobiodiversidade, e gerando demandas para a agricultura familiar, fortalecendo  assim os pequenos produtos e preservando culturas tradicionais.

*Texto de Kátia Najara, cozinheira e autora do Pitéu Cozinha Afetiva, Salvador, Bahia.

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