Slow Food Brasil

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Em função da celebração de convênio entre a Associação Slow Food do Brasil - ASFB e a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional - CAR vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia - SDR, fazemos a solicitação de manifestação de interesse para compor a equipe do projeto Slow Food na Defesa da Sociobiodiversidade e daCultura Alimentar Baiana, a ser iniciado no segundo semestre de 2019, uma parceria entre ASFB, CAR e FIDA - Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola.

Solicitações de Manifestação de Interesse N°s: 001/2019, 002/2019, 003/2019, 004/2019 e 005/2019 para seleção de profissional conforme resumos abaixo:

Fortaleza Slow Food da Farinha de Mandioca Kiriri promove o sussu, subproduto da raiz e alimento típico do dia-a-dia das aldeias indígenas

Você já ouviu falar no sussu? Essa iguaria é um alimento típico de 700 famílias dos povos indígenas Kiriri, que se concentram em uma área de 12.320.000 hectares de mata conservada, no território indígena Banzaê, na região semiárida da Bahia, Nordeste do Brasil. Organizados em 12 aldeias, em 11 de novembro próximo, os Kiriri comemoram o retorno ao seu território, após anos de reivindicação e luta pela terra de seus ancestrais.

Rodeados pela Caatinga, é desse bioma que retiram uma variedade de frutas, tubérculos, raízes e plantas para a alimentação de seu povo, que vive sobretudo de agricultura, agropecuária e extrativismo vegetal, a partir da coleta de licuri, caju, cambuí, murici, cajá e caju. A mandioca representa o principal alimento das famílias, sendo o sussu um preparo clássico, que acompanha alguns preparos locais. O sussu é feito da massa da mandioca, matéria-prima da farinha, e o preparo envolve muitas mãos, caracterizando um momento de compartilhamento e socialização. Para obter a massa, a mandioca é descascada, ralada manualmente, colocada em um pedaço de pano e torcida para a retirada do líquido, também conhecido como manipueira, até resultar em uma massa seca e fibrosa. Com uma peneira feita de palha, a massa é refinada e assada em formato circular, em uma panela de barro no fogão à lenha.

Está oficialmente aberta a época das farinhadas e a comemoração é em dose dupla; em maio, a Rede Catarinense fez o pedido de reconhecimento da atividade ao IPHAN

De maio a agosto, nos Engenhos de Santa Catarina, acontece o período das farinhadas, onde todos se reúnem, da colheita ao feitio da farinha, processo que começa no descascar a raiz e termina no forneamento do produto final. No início, cada família realizava sua própria farinhada, porém a articulação em rede possibilitou com que os engenhos reconhecessem que a tradição mantida há anos na região seguia firme em sua resistência. Hoje, já são 64 engenhos ativos na Rede Catarinense de Engenhos de Farinha, nos municípios de Garopaba, Imbituba, Bombinhas, Florianópolis e Angelina, que comemoram as farinhadas juntamente com festas comunitárias e juninas.

Esse ano, há ainda mais motivos para comemorar. No mês de maio, a Rede fez o pedido de registro dos “Saberes e práticas tradicionais associadas aos Engenhos de Farinha de Santa Catarina” ao IPHAN. Além da Rede, a solicitação partiu do Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo (CEPAGRO), da Associação Comunitária Rural de Imbituba (ACORDI), da Associação dos Moradores de Santo Antônio de Lisboa (AMSAL), do Instituto Boi Mamão, de Bombinhas/SC, e do Núcleo de Estudos Açorianos da UFSC. Para Cláudio Andrade, herdeiro do Engenho dos Andrade, o reconhecimento “é extremamente importante para a valorização desse patrimônio imaterial, desse saber-fazer que perpetua na mão desse pessoal mais antigo. São várias famílias que ainda vivem da produção de farinha, e que tem todo um conhecimento empírico da produção.”

Ao pensar o alimento como ferramenta de transformação social, Projeto Caracol atua em diferentes comunidades brasileiras a partir de práticas educativas

No começo do ano passado, como incitava do GT (Grupo de Trabalho) Slow Food Brasil Educação, surge o Projeto Caracol, que age em comunidades de baixa renda, de diferentes culturas e biomas brasileiros. Entre os objetivos, promover a segurança alimentar e nutricional e a reflexão sobre a cadeia do alimento, proteger o patrimônio cultural, incentivar a participação nas discussões sobre políticas públicas alimentares e aliar a produção local à geração de renda. Com o apoio da Misereor, o projeto atua, nesse momento, na Comunidade Chico Mendes (Florianópolis/SC), no Acampamento Paulo Botelho (Ribeirão Preto/SP) e na Enseada da Baleia (Cananeia/SP). Uma nova articulação vem sendo construída com uma comunidade quilombola de Eldorado/SP, também no Vale do Ribeira.

É a partir da realização de oficinas e da sistematização de metodologias para aplicar políticas públicas de Educação Alimentar e Nutricional (EAN) que os ativistas agem com as comunidades envolvidas, entendendo as necessidades locais e desenhando um planejamento de ações. Fortalecimento, autonomia e participação social em comunidades produtoras de alimentos é o lema do Caracol, um projeto piloto que tem a educação do gosto como um dos pilares para as práticas educativas. Segundo a historiadora Gabriella Pieroni, de Florianópolis, o conceito foi adaptado para a realidade do país. “Procuramos dar uma faceta mais política para a educação do gosto. São vários desafios que o contexto brasileiro nos apresentou e vimos que apenas as metodologias de treinamento dos sentidos, que vem de uma realidade europeia, não dava conta de fortalecer o tema”, diz Pieroni.

Semana Santa e Páscoa se aproximam e, com elas, cresce a busca por pescado em mercados do litoral ao interior do Brasil. No país de extensa costa, que abriga as maiores bacias hidrográficas do mundo, a procura pelas mesmas espécies esbarra em fortes questões ambientais. Nesse contexto, o Slow Food atua por meio do Slow Fish, que valoriza a pesca artesanal e o consumo de pescados. A batalha da rede segue seu foco pela utilização de peixes frescos, saborosos, locais, fora do período de defeso, livres de hormônios e antibióticos, provenientes de uma prática responsável, além de lutar por condições dignas de trabalho para o pescador e preço acessível para quem os consome.

Ao final da quaresma, todavia, a predileção pelo bacalhau é unânime. O comércio, então, se apropria da herança portuguesa de consumir o peixe europeu, tornando quase obrigatória a presença do ingrediente à mesa brasileira. “Incentivar o uso de outros pescados é, sem dúvida, uma questão importante de políticas públicas, que pode fazer com que este hábito cultural entenda outros peixes como possíveis para a época”, comenta o chef pantaneiro Paulo Machado. É nesse momento que o cozinheiro entra em ação, a fim de ofertar possibilidades ao comensal.

O chef Eudes Assis defende o peixe sazonal com unhas e dentes. “Temos que pensar em um consumo consciente, de peixe de bandeira verde. Será que tem robalo, linguado e pescada para todos? Ou tem sororoca e carapau, que inclusive vai começar a época bem agora?”, diz. Em Toque-Toque, São Sebastião, o chef aprendeu com a mãe a salgar peixe no varal. “Faço o peixe seco, que é uma técnica de conservação. Mas o buraco é mais embaixo, a legislação não deixa que esse peixe de varal seja comercializado”, afirma. 

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