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Editoras desta coluna: Renata Menasche Fabiana Thomé da Cruz

queijominas2.jpgNo último dia 15 de maio, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) aprovou o registro do modo de produção do Queijo Artesanal de Minas como patrimônio imaterial brasileiro.

O trabalho que resultou no registro do tradicional queijo mineiro contou com a participação do Slow Food e foi uma ação conjunta que envolveu a associação de produtores de queijo de diferentes regiões de Minas Gerais, o poder público e entidades privadas.

queijominas3.jpgDesde 2001, quando a Secretaria de Cultura de Minas Gerais encaminhou o pedido ao IPHAN, dois aspectos foram decisivos para a qualificação e legitimação do Queijo: a aprovação de Leis Estaduais específicas para a produção artesanal de Queijo de Minas (que permitem a elaboração deste queijo a partir de leite cru) e a realização de um amplo trabalho de pesquisa sobre os modos de produção, questões históricas, culturais e identitárias, que foram sistematizados em um documento, o Dossiê Interpretativo do Queijo Artesanal de Minas.

foto_da_familia_dalla_costa_1939.jpgEstima-se que, no período compreendido entre 1870 e 1970, cerca de 26 milhões de italianos deixaram sua terra em busca de melhores condições e oportunidades de vida. Desses, 1,5 milhão veio para o Brasil.

Os fluxos migratórios da Itália para os diversos países que receberam italianos ao longo desse período foram estabelecidos por redes sociais, construídas entre regiões da Itália e alguns destinos. Assim, observa-se a preferência dos imigrantes em se dirigirem a locais onde já estavam estabelecidos conterrâneos seus. Dessa forma, temos que o fluxo migratório para o Brasil foi, em grande parte, originário da região do Vêneto.

Ao emigrarem, os italianos levavam na bagagem sua cultura: costumes, hábitos alimentares, modos de ver a vida, língua, entre outros. Ao chegarem a seus destinos, tentavam reproduzir sua cultura, dando origem a adaptações e novas significações de antigos hábitos. No Brasil, em novas condições de vida, novos elementos foram introduzidos às práticas dos imigrantes italianos, assim como eles imprimiram suas marcas na cultura local. Atualmente, percebemos a força da imigração italiana nas culturas regionais.polenta_filo_jacarezinho_2007.jpg

Entre os italianos que migraram para o Brasil, a polenta destaca-se como alimento característico de grupos familiares provenientes de regiões rurais do Vêneto. A polenta manteve-se como alimento de base entre colonos descendentes de imigrantes da região Sul do Brasil.

arepasO homem é um onívoro que estabelece regras alimentares, classificando o que é comestível ou não, transformando alimento em comida. Assim é que o que se come em determinada cultura não se come em outra. E assim é que trago aqui esta história...

Trafegando por rodovias que cruzam os municípios de São Bendito, Ubajara e Tianguá, região cearense chamada de Serra Grande ou Ibiapaba, deparei-me com algo inusitado. Mulheres, homens, jovens e crianças correndo no mato, de um lado para o outro, olhando ora para a terra, ora para os ares. Meus olhos seguiam o mesmo movimento, tentando entender o que estava acontecendo. Um brincadeira? Uma disputa? Uma coleta? O que seria?

Nas mãos, garrafas pet, baldes e latas, cujo conteúdo escuro eu não conseguia distinguir bem. Fiquei assistindo, por um bom tempo, aquilo que parecia ser uma atividade divertida para quem a praticava... enquanto pensava na estranha interação entre homem e natureza que observava. A convivência, o movimento, gritos e risadas, cheias de códigos entendidos por quem participava e não entendidos pelos de fora.

Ao aproximar-me, percebi que eram formigas voadoras, tanajuras negras e gordas. Indaguei para que serviam. Responderam que era pra comer e pra vender. Quando criança, tinha visto tanajuras no sertão, mas não tinha conhecimento de que podiam ser comidas.

paisagem4.jpgDe minhas recentes viagens ao Pirineu, impressionou-me a ternura que os pagesos (como são chamados os camponeses na Catalunha) ainda hoje conservam pela montanha. Ternura entendida como uma mistura bem feita de amor e respeito.

Até um passado muito próximo, a montanha foi provedora de todos os alimentos, sendo ainda capaz de curar, com as ervas que abundavam por seus campos e bosques, os males de homens e criações. As estações do ano eram como páginas de uma agenda sempre cheia. Tudo tinha que ser feito num tempo preciso e inadiável, sob pena de se perder o compromisso diário com a sobrevivência.

Em alguns momentos mais emocionantes das visitas e entrevistas que tive oportunidade de realizar, acho até que pude compreender - ainda que seja incapaz de transmitir - porque a montanha é, em muitas culturas e em diversos pontos do planeta, um lugar de veneração.

biju-mandioca-indigena.jpg Este artigo aborda a contribuição dos grupos indígenas no processo de formação da culinária brasileira a partir das obras de Gilberto Freyre e Luiz da Câmara Cascudo, autores das obras mais significativas sobre a temática e referências obrigatórias para pesquisas na área.

A leitura desses autores passa a impressão de que a contribuição indígena para a cozinha brasileira se resume ao fornecimento de ingredientes, deixando de aportar ao saber-fazer e demais elementos dos sistemas culinários. No entanto, o curioso é que justamente nas obras desses autores encontramos informações que contrariam essa noção.

Assim é que este artigo pretende pensar a contribuição indígena à culinária brasileira a partir das entrelinhas de Gilberto Freyre e Câmara Cascudo.

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