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Editoras desta coluna: Renata Menasche Fabiana Thomé da Cruz

diversidade_de_graos_conservados_por_uma_familia_agricultora.jpgA sociobiodiversidade engloba produtos, saberes, hábitos e tradições próprias de um determinado lugar ou território. Trata-se de um conceito relativamente novo, centrado na ideia de visibilidade identitária e valorização das especificidades e diferenças que foram se conformando nos processos históricos de coevolução socioambiental. Este novo conceito foi apregoado pela Convenção Internacional de Biodiversidade e tenta agrupar aspectos que historicamente foram vistos como separados, mas que integram um mesmo sistema, que pode ser destrinchado em cultura, valores e significados, paisagem, recursos, produtos e impactos deste mesmo sistema.

Os sistemas agroflorestais (SAFs) consistem em estratégias de manejo do solo que consorciam, simultânea ou sequencialmente, árvores com cultivos e/ou criações de maneira intencional, visando cumprir funções desejadas por quem maneja o sistema. Entre as muitas formas que estes arranjos de cultivo podem ser pensados, os sistemas agroflorestais biodiversos e complexos ressurgem para as sociedades modernas como uma oportunidade de reaprender a conviver com a natureza, uma vez que esta forma de cultivo da terra procura imitar os processos sucessionais que ocorrem em ecossistemas ditos naturais, que se formam sem a intervenção humana premeditada, o que contrasta com a estratégia moderna de cultivar, que desconsidera a sucessão natural, a biodiversidade adaptada ao local e os saberes e práticas que as populações tradicionais desenvolviam para produzir seus alimentos.

aprender_fazendo_criancas_pescando.jpgTodo cozinheiro já passou pela situação de se deparar com a falta de um ingrediente bem na hora de preparar um prato para os convidados. Quem nunca trocou manteiga por óleo (ou vice-versa) no preparo de um bolo? Ou substituiu creme de leite por um leite engrossado? Atire a primeira pedra quem jamais teve que dar um jeitinho de última hora para manter as características essenciais do prato a ser apresentado.

Eu mesma aprendi a fazer quiches quando era pequena. É provável que eu tenha seguido alguma receita nas primeiras vezes que preparei. Desde então, é muito frequente um amigo ou familiar me pedir um quiche, ou a receita dele. Muitas vezes, ao longo desses anos, abri a dispensa e notei a falta de algum ingrediente... o que logo deixou de ser problema. Percebi que quando falta sal, posso acrescentar um pouco mais de queijo ralado. Notei que quando o recheio é de vegetais que soltam muito líquido, melhor usar um ovo a mais. E se não dá pra fazer com creme de leite, posso engrossar um pouco de leite com farinha de trigo. Acho que hoje eu nem lembraria a receita original.  E nem por isso meus quiches deixaram de ser quiches. Hoje entendo que quando se pergunta a receita a um cozinheiro e ele diz que não sabe, é porque ele muito possivelmente não saiba e não por que não queira revelar a receita.

queijo_serrano.jpgHá alguns meses, organizadores do I Simpósio de Queijos Artesanais do Brasil, que acontecerá na próxima semana (de 23 a 25 de novembro de 2011), em Fortaleza, Ceará, convidaram o Movimento Slow Food para aproximar-se das discussões que então eram planejadas, referentes à produção de queijos artesanais no Brasil.

Foi nesse processo que alguns integrantes do Movimento Slow Food constituíram o Grupo de Trabalho sobre Queijos Artesanais, com a preocupação central de fortalecer e divulgar, em nosso país, a luta em defesa dos produtos tradicionais e artesanais. Em decorrência das discussões do Grupo, foi organizado o I Encontro Nacional do Grupo de Trabalho sobre Queijos Artesanais do Slow Food Brasil (saiba mais e confira aqui a programação), que acontecerá no dia 22 de novembro, antecedendo o Simpósio.

Os queijos artesanais que, em sua maioria, são elaborados a partir de leite cru, estarão no centro dos debates da próxima semana. Por isso, aproveitando a pertinência do momento, divulgamos artigo elaborado pelas editoras desta Coluna e recentemente apresentado no III Colóquio Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural, em Porto Alegre.  Neste artigo ("Se o leite é cozido, o queijo não é Serrano" - disponível aqui), discutimos a legitimidade do critério que define o tempo mínimo de maturação para queijos feitos de leite cru e argumentamos pela necessidade de valorização e legitimação da produção tradicional de queijos.

Se você considera esta discussão importante, leia mais a respeito e veja aqui como colaborar com a campanha Em defesa dos queijos artesanais de leite cru.

Leia também:

* O “saber–fazer apurado” do Requeijão do Sertão: a tradição e a cultura definham-se em Sergipe

* Queijo Artesanal Serrano: história e tradição nos campos de altitude do Sul do Brasil

* Patrimônio: é de comer? Reconhecimento da tradição leva ao registro do Queijo Artesanal de Minas

* Manifesto em Defesa dos Queijos de Leite Cru

Se, por inescrutável planejamento divino, Cristo tivesse encarnado no Japão, teria consagrado o arroz e o saquê, e o mistério da Eucaristia continuaria a ser o que é. (ECO, 2009, p.49)

sakura_branca.jpgNa Colônia Ramos, localizada no meio-oeste catarinense, no pequenino município de Frei Rogério, em que se realizam diversas produções agrícolas, celebra-se o florescer de cerejeiras, o Sakura Matsuri. O festejo e ritual de admiração dessa árvore e da sua flor estão marcados, no calendário do Japão, no mês de abril. Do final do inverno e início da primavera, de lá do País do sol nascente, alguns japoneses trouxeram o hábito de festejar a flor(ação) das cerejeiras que, em Santa Catarina, ocorre entre os meses de  agosto e setembro. A festa da floração da cerejeira tem sido realizada por essa comunidade rural nipo-brasileira desde o ano de 1997.

capa_dvd.jpgPensando no cinema enquanto campo etnográfico, inserido em um contexto histórico e cultural, alguns dos elementos presentes no filme "Estômago", de Marcos Jorge (2008), são importantes para tecer reflexões sobre valores culturais, conflitos, relações de poder, enfim, interações sociais que podem ir muito além da ficção (ROCHA, 2009). A narrativa traz uma relação estreita entre culinária e jogos de poder, expondo uma trama de relações. Para o personagem Raimundo Nonato, a comida é caminho de ascensão social.

Buscando mostrar, através do cinema, contextos que trazem à tona um cotidiano usualmente invisibilizado, neste filme são apresentadas situações conectadas com uma realidade que se distancia dos contos de fadas maniqueístas, de finais felizes.

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