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Editoras desta coluna: Renata Menasche Fabiana Thomé da Cruz

Joao GalegoNo interior da Ilha da Boa Vista, uma das dez ilhas que integram Cabo Verde, está João Galego, uma pequena e simpática localidade rural. Lá, entre alimentos frescos, produzidos em hortas que, em virtude da aridez do ambiente, são produtivas graças a um sistema de irrigação chamado gota a gota, as famílias rurais dedicam-se ao cultivo de legumes, hortaliças e temperos, que, além de destinados ao autoconsumo, são comercializados três vezes por semana no Mercado Municipal de Sal Rei, maior centro urbano da Ilha da Boa Vista. Além desses alimentos, as hortas comportam também currais, onde há produção de caprinos, especialmente para produção de leite. O leite, ordenhado manualmente, é processado, dando origem a um queijo artesanal, feito de leite cru, consumido fresco e muito apreciado não apenas pelos moradores locais como também por turistas de passagem pela Ilha.

Em se tratando de queijos de Cabo Verde, é preciso lembrar que queijos artesanais são também produzidos em outras ilhas do arquipélago, mas, como ouvi comentar várias vezes enquanto estive no País, em cada ilha onde há essa produção, os queijos possuem características específicas, diferenciando-se, por exemplo, pelo formato, textura e quantidade de sal. Assim, além dos queijos da Boa Vista, destacam-se também no País os queijos da Ilha do Fogo e da Ilha de Santo Antão, onde também são majoritariamente produzidos a partir de leite de cabra.

Estamos vivendo um momento crucial para o rumo da produção e consumo de alimentos. Em que pese o processo que torna paulatinamente qualquer coisa em mercadoria (a natureza, a água, as ideias), este mesmo movimento abre espaços para a valorização, via mercados, de características distintivas dos alimentos: a originalidade, o cuidado, o sabor, os traços culturais, a tradição e a relação com a sustentabilidade ambiental.

VatelNo dia-a-dia, é frequente escutarmos que isso ou aquilo é “questão de gosto”, ao que segue a sentença: “gosto não se discute”. Como se no comportamento de consumo das pessoas não houvesse nada de interessante ou importante para ser refletido do ponto de vista social e objetivo, por tratar-se de algo dado naturalmente por fatores de ordem individual e subjetiva. Em oposição a essa ideia, argumenta-se, seguindo Bourdieu (1983), que o gosto, especificamente o gosto alimentar, é constituído socialmente e tem função importante na diferenciação social, na medida em que por meio dele formam-se estratégias de distinção, que exprimem diferentes estilos de vida e posições hierárquicas na estrutura de classes.

Para discutir argumentos como esses, buscamos ilustrar algumas ideias com exemplos retirados de dois filmes que tratam de gosto alimentar, gastronomia e culinária, e de diferenças entre classes sociais, quais sejam, Vatel: um banquete para o Rei (1999), de Rolland Joffé, e Estômago (2007), de Marcos Jorge.

Banca de Guisados na feira de CoruripeEste trabalho tem como objetivo apresentar características que apontam para a resistência cultural de famílias que utilizam a produção de alimentos derivados da mandioca, tais como tapiocas, bolos, beijus, broas, etc, como estratégia de reprodução socioeconômica e cultural. Essas famílias vivem em Miai de Baixo, povoado pertencente ao município de Coruripe, em Alagoas.

O município apresenta concentração de terras e a utilização das mesmas está sob o domínio da produção de cana-de-açúcar, com destaque para três grandes usinas, a Usina Coruripe, a Usina Guaxuma e a Cooperativa Pindorama, além de grandes fazendas de coqueirais e de criação de gado. Em contraste com as grandes extensões de terras destinadas à monocultura, o município é composto por várias povoações, tanto ao longo da costa litorânea como em seu interior. Miai de Baixo, que está localizada entre Feliz Deserto e a cidade de Coruripe, sede do município, é um deles e está a uma distância aproximada de 13 km da sede.

productos ibericosEn la historia de la producción de alimentos estamos ahora en una fase caracterizada sobre todo por la pérdida de control e información de los consumidores respecto a los productos. Las cadenas agroalimentarias industriales de la sociedad urbana globalizada, se encuentran de este modo en el polo opuesto de la dinámica productiva de gran parte de nuestra historia como seres sociales, aquella donde predominó la producción a pequeña escala en el seno de los grupos domésticos, como señalan Krone y Menasche (2010), o de grupos de agricultores y/o ganaderos muy localizados.

Hasta la generalización de la economía de mercado caracterizada por el abastecimiento constante a través de una compleja red de flujos comerciales, fenómeno relativamente reciente en la historia de la alimentación humana, la producción de alimentos mediante estas fórmulas de producción localizadas en espacios rurales concretos ha sido la tónica histórica dominante. Las familias disponían de recursos agroalimentarios en la medida que producían buena parte de los mismos. Estos grupos domésticos contaban con determinados recursos para su reproducción, implementando las estrategias más adecuadas en cada caso, basándose en la experiencia adquirida y los saberes transmitidos por sus ancestros. Son los conocimientos propios de cada región o territorio en base a sus producciones características y a particularizados sistemas de elaboración y transformación de sus materias.

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