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Texto originalmente publicado no site do Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricioanl (FBSSAN)

Diante do contexto da pandemia global provocada pelo novo Coronavírus (Covid-19), mais de 80 entidades civis de todas as regiões do país publicaram um apelo para que o direito à saúde e à alimentação da população brasileira seja respeitado, protegido e garantido. O documento conjunto apresenta uma série de propostas de combate à fome a serem implementadas, em caráter urgente e emergencial, pelos governos nas esferas federal, estadual e municipal.

Assinadas por fóruns, redes, articulações, movimentos e organizações da sociedade civil, as proposições incluem a revogação imediata da Emenda Constitucional 95 (EC 95), a criação de Comitês de Emergência para o Combate à Fome e medidas que passam pelo fortalecimento da agricultura familiar, pelos caminhos de distribuição de alimentos para as populações mais vulneráveis, por programas como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e pelo controle dos estoques e dos preços.

post ser e viverAntes de tudo, gostaríamos de propor um exercício: respire fundo. Inspire pelo nariz e solte pela boca. Longa e profundamente, por pelo menos três vezes. Uma vez no presente, a leitura (ou seria a refeição?) pode realmente começar. As palavras que se seguem abordam o Sagrado Feminino e sua relação com a alimentação. Os pontos serão discutidos à luz de uma abordagem mais subjetiva, porém de forma alguma menos profunda. É nesse quadro que não serão objetos de reflexão questões que envolvem necessidades físicas e biológicas específicas do corpo da mulher, como nutrientes necessários e alimentos indicados para cada fase do ciclo menstrual.
O Sagrado Feminino, expressão tão antiga e ao mesmo tempo tão nova, pode ser resumido como a sabedoria ancestral dos mistérios do feminino, conhecimentos que todas carregamos em nosso corpo, nas hélices de nosso DNA, e em nossa alma, por trás dos véus do (declinante) patriarcado. Trata-se da conexão dos ritmos femininos com os ritmos da natureza, do ciclo menstrual em ligação com o ciclo lunar, bem como da cura da menstruação e sua relação com a cura da Terra. Logo, a mulher sagrada, cíclica e guiada pela lua, reconhece sua íntima relação com a terra e seu lugar nela.

Este é o terceiro boletim informativo Slow Food Brasil - Terra Madre Brasil 2020, que infelizmente foi adiado para o último quadrimestre por conta da pandemia de coronavírus.

A nova data será divulgada até meados de abril.

Acesse na íntegra o Boletim Slow Food Brasil - Terra Madre Brasil 2020 – Número Três

O Boletim Slow Food Brasil – Terra Madre Brasil 2020 - número três traz os avanços rumo ao Terra Madre Brasil (TMB) que está sendo construído a muitas mãos. A terceira edição do encontro das comunidades brasileiras de nossa rede ocorre no 20º ano da chegada do movimento no país que, desde seu início, cresceu e mudou muito, acompanhando as diversas pautas alimentares dos nossos territórios. 

A atual edição conta com a correalização do Governo do Estado da Bahia  por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional da Bahia (CAR) da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) e ocorrerá em Salvador/BA.

Você já deve ter reparado que no cabeçalho deste boletim temos agora uma identidade visual do evento, que foi belamente desenvolvida por dois ativistas Slow Food de longa data, Gabriela Bonilha e Marcelo Podestá. Se buscou sintetizar a pluralidade do Brasil e contemplar alguns elementos da sociobiodiversidade e da cultura alimentar que integram a nossa rede e nossos programas, além dos aspectos comemorativos próprios dos nossos momentos de encontro, o resultado desses elementos através dos olhares cuidadosos desses dois artistas pode ser melhor contemplado no cartaz ao lado. Visualize melhor o primeiro cartaz do evento ao final deste boletim.

Infelizmente, por conta da pandemia do coronavírus e frente ao cenário incerto nas próximas semanas e meses, a Prefeitura de Salvador publicou um decreto municipal proibindo eventos maiores que 500 pessoas e pelos próximos 90 dias, a partir de de 16 de março. Desse modo, o Terra Madre Brasil (TMB), previsto inicialmente  para ocorrer entre 11 e 14 de junho, será adiado para o último quadrimestre de 2020. A nova data será divulgada até meados de abril. 

Até lá, teremos o site do evento (http://terramadrebrasil.org.br/) – fruto da colaboração de Rafael e Gabriela Bonilha – no ar com as principais informações do evento sistematizadas. Enquanto aguardamos, convidamos a conhecer conteúdos da edição anterior do Terra Madre Brasil: http://terramadre.slowfoodbrasil.com/, que contou com a contribuição de Marcelo Terça-Nada, o além da playlist no nosso canal youtube com os chamados para o TMB2020 e a reportagem de Lara Ely sobre como foi o TMB2010.

Pedimos que todos fiquem atentos aos desdobramentos para mantermos, na medida do possível, as mobilizações e articulações já efetuadas, seguindo juntos na construção deste encontro. Nosso desejo é de que essa situação que estamos passando sirva para refletirmos sobre o modo de vida que temos cultivado. Que a produção de alimentos e sua cadeia possam ser valorizadas, que o abastecimento seja mais democrático e que tenhamos êxito em difundir a importância do consumo de alimentos de procedência local que valorizem a agricultura familiar e a biodiversidade agrícola.

Por parte da organização do evento, seguiremos trabalhando todos os dias para viabilizar o sonhado momento de discussão e de celebração do alimento bom, limpo e justo no Brasil. 

Achamos importante destacar que a realização do TMB2020 depende dos diversos esforços da rede Slow Food Brasil em levantar apoios para que toda essa construção coletiva se concretize. Dos diversos apoios para viabilizar passagens, estruturas, espaços e programações – encabeçado pela Associação Slow Food do Brasil e por ativistas  e nós da rede que se integraram ativamente no processo – muitos acabarão não se consolidando. A realização do nosso encontro tem mostrado diversos desafios, que se intensificaram ainda mais na situação de crise de saúde pública global que enfrentamos. os desafios podem ser menores se conseguimos maior engajamento e atuação em rede. 

Outra forma de apoiar sua realização é contribuindo com a campanha da Benfeitoria que está no ar desde outubro de 2019 e ainda tem pouca adesão. Você pode doar mensalmente valores entre R$10 e R$100 e convidar outras pessoas a fazerem o mesmo. As doações contribuem indiretamente para a realização do TMB uma vez que apoia a ASFB a erguer o evento e, caso a terceira meta seja alcançada, a doação contribui diretamente na realização do encontro assim como para garantir maior presença da rede em Salvador. 

O fortalecimento em rede é crucial para superarmos as dificuldades e a comunicação é peça-chave para manter a motivação e mobilização coletiva. Compartilhe conosco as histórias sobre como você e seu grupo tem se engajado para mobilizar a rede local nesses tempos. Seguimos enfrentando as dificuldade que a distância física nos coloca  porém articulados para buscar as soluções necessárias que o momento exige. E o Slow Food enquanto rede pode e, na medida do possível, deve contribuir para as soluções locais de abastecimento e desenvolvimento de circuitos curtos, lutar para que o direito humano à alimentação adequada não seja violado na crise que se agrava, fortalecer a economia solidária e os pequenos negócios locais, promover a alimentação saudável e biodiversa, e assim, fomentar um sistema alimentar mais resiliente e seguro. Que estejamos juntos e solidários, aguardando nosso encontro presencial em Salvador!

 

Atividade do projeto reúne mais de 30 agricultores para resgatar a história e a cultura alimentar local, em Pilão Arcado, na Bahia

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O mês de março teve início com uma nova visita do Projeto Slow Food na Defesa da Sociobiodiversidade e da Cultura Alimentar Baiana à região dos Bbrejos, em Pilão Arcado, Bahia. Desta vez, mais de 30 agricultoras e agricultores das comunidades Brejo Dois Irmãos, Brejo da Capoeira, Brejo do Carrasco, Brejo do Urubu e Brejo do Pequi, em Pilão Arcado, estiveram reunidos com os facilitadores do projeto, acompanhados pela equipe do Pró-Semiárido e do SASOP, organização parceria que realiza assessoria técnica na comunidade. 

A atividade aconteceu nos dias 3 e 4 de março, com o objetivo de conhecer mais a região dos brejos e sua rica biodiversidade. Num primeiro momento, foram feitas visitas às agricultoras mais velhas das comunidades, Dona Romana, Dona Adelcina e Dona Litercina, que narraram o histórico das pessoas, dos sistemas produtivos e da cultura alimentar local, desde o plantio até a mesa. “Nessa conversa, nos deparamos com resultados surpreendentes, com uma diversidade muito grande de alimentos e quase todos eram produzidos no roçado e no quintal das famílias, sem uso de agroquímicos. O que vem de fora é quase zero”, diz Fernando Andrade, técnico do SASOP que acompanha a comunidade.

Ministério da Agricultura definiu que, caso um pedido de registro de agrotóxico não seja avaliado em 60 dias, ele será aprovado “tacitamente”, ou seja, de forma automática

campanha

Desde 2015, quando o então deputado Covatti Filho (PP-RS) propôs o PL 3200, a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida vem denunciando um processo de desmonte da legislação que regulamenta o uso de agrotóxicos no Brasil. Desde então, denunciamos as tentativas de desmonte da lei de agrotóxicos, a flexibilização das regras na Anvisa, e o desmonte do Programa de Avaliação de Resíduo de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), entre outros.

No dia 27 de fevereiro de 2020, o Diário Oficial da União trouxe a Portaria 43/2020, do Ministério da Agricultura, que estabelece um prazo máximo de reposta para os chamados “atos públicos de liberação”. Terminado este prazo, caso não haja resposta, é concedida a liberação tácita, ou, em bom português popular, automática. Entre os atos que receberam o prazo máximo, estão desde o registro de estabelecimentos de produtores de produtos de origem animal, certificação de exportação de produto animal até o registro de agrotóxicos.

De acordo com a portaria, se um pedido de registro de agrotóxico não for analisado em 60 dias, ele está aprovado. A medida é tão irreal que duvidamos que fosse mesmo verdade. Mas de fato, no Governo Bolsonaro, o fundo do poço sempre pode ser mais fundo.

Diante disso, a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida vem a público questionar:

  • Qual motivo da pressa para colocar no mercado mais agrotóxicos com princípios ativos perigosos e já banidos na União Europeia e outros países?
  • Porque o Ministério da Agricultura não contrata mais técnicos para fazer a avaliação em menor tempo, ao invés de simplesmente abolir a avaliação?
  • É mais fácil suspender as regulações e normativas do que realizar os processos necessários de avaliação?
  • Quantos agrotóxicos até hoje foram avaliados em 60 dias?
  • Quem se responsabiliza pela segurança e eficácia de um agrotóxico aprovado “tacitamente”?
  • O prazo vale também para o Ibama e para a Anvisa? Ou a Portaria já adianta o Pacote do Veneno, e exclui de uma vez por todas os órgãos de Saúde e Meio Ambiente?

Esta medida, em conjunto com a Resolução 2080/2019 da Anvisa, que reduziu a classificação toxicológica da maior parte dos agrotóxicos no Brasil, abre caminho em nosso país para um verdadeiro festival vale-tudo das empresas transnacionais vendedoras de venenos. Repudiamos de forma veemente e nos comprometemos diante da sociedade brasileira a lutar contra mais esta medida absurda do Governo Bolsonaro e sua Ministra dos Agrotóxicos, Tereza Cristina.

Enviado pela Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e Pela Vida

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