Slow Food Brasil

Cadastre o seu e-mail e receba novidades:

Farinha Bragantina
paneiro.jpegA tradicional farinha de Bragança, como é conhecida, é produzida artesanalmente por pequenos produtores da agricultura familiar da região Bragantina, o Salgado Paraense, nos municípios de Bragança, Augusto Correa, Tracuateua e Capanema. Confeccionada com técnica indígena repassada de geração em geração, esta tecnologia ancestral vem sendo substituída há vinte anos por embalagens de plástico que desconsideram o caráter tradicional e sustentável do produto.

Existem mais de 50 tipos de mandioca (Manihot esculenta), somente na região Bragantina, e que são utilizados pelos produtores rurais, os quais lhes dão diferentes nomes: aipim, jabuti, mirim, branco ouro, creme, areia, tomazia, gordura, branca, picui, entre outros.

Há um método específico para o preparo da farinha Bragantina. O primeiro passo é deixar a mandioca de molho durante 4 a 5 dias. No último dia a mandioca é retirada da água, descascada e, após isso, colocada de molho por mais 24 horas em água limpa. Após essas 24 horas, a mandioca é retirada da água e triturada, para então ser colocada no tipiti (um utensílio indígena feito de palha, que funciona como uma prensa, para a retirada do tucupi, o molho da tapioca). Depois disso teremos a massa da mandioca, que é colocada no forno já aquecido para ser torrada e dar origem à farinha tão conhecida.

A farinha de Bragança é consumida em especial no estado do Pará, região amazônica, em todas as refeições: com frutas ou café, no café da manhã, com peixes no almoço e jantar. Também é apreciada com os tradicionais tacacá e o famoso açaí do Pará, reconhecido por sua excelente qualidade.

A Fortaleza
A Fortaleza, criada em 2017, é formada por agricultores familiares que produzem artesanalmente a tradicional farinha d’água, na região Bragantina, do estado do Pará, principalmente nos municípios de Bragança e Tracuateua. A farinha vem embalada em um paneiro, cesta feita com folhas de guarimã (também chamada arumã), que é uma planta herbácea da família das marantáceas, típica da região. Essa forma natural de embalagem gera valor agregado ao produto não apenas por torná-lo mais durável e sustentável, mas também por ser um objeto de extrema beleza, tornando-o item decorativo e de fácil comercialização. Esta tecnologia ancestral estava sendo substituída há cerca de vinte anos por embalagens de plástico, as quais descaracterizavam o caráter sustentável do produto, que mantinha, por meio das fibras naturais e recicláveis, a farinha intacta e perfeita para consumo pelo período de até dois anos.

Preocupado com o avanço da industrialização, Seu Bené e sua companheira Dona Maria resolveram replicar a fazeção da farinha tradicional e de altíssima qualidade, atingindo mais de 20 comunidades na região, principalmente em Bragança e também Tracuateua, município este local de moradia do casal. O número de agricultores interessados em produzir com o modo de “fazeção” tradicional aumenta de maneira interessante, pois esse modo conta com uma questão cultural muito forte para as populações rurais da região. Atualmente morador da área rural de Tracuateua, Seu Bené nasceu no município vizinho de Bragança, onde foi conhecido pelo Movimento Slow Food, o que o levou a apresentar a técnica tradicional e a farinha Bragantina pela primeira vez no Terra Madre 2006, na Itália. Após esse evento, ainda apresentou a farinha também em Berlim, Alemanha.

Como forma de manter viva a tradição da farinha na região, as ações da Fortaleza estão mais focadas em transmitir o conhecimento e as técnicas ao maior número de agricultores interessados. Especialmente aqueles mais jovens.

Área de produção/território
A região Bragantina atualmente abrange 13 municípios do nordeste do Pará e, dentre estes, temos Tracuateua, cortado pela BR 308 e situado entre Capanema e Bragança, no bioma Amazônia. Beirando o Oceano Atlântico está a Reserva Extrativista (RESEX) Marinha de Tracuateua, uma Unidade de Conservação de Uso Sustentável habitada por agricultores familiares distribuídos em sete pólos distintos, onde se predomina a atividade familiar de cultivo agrícola e criação animal, além do extrativismo vegetal e a pesca tradicional (peixes, caranguejos, camarões e mexilhões).

Agricultores e produtores
A AUREMAT atua na área de delimitação da RESEX Marinha Tracuateua e hoje possui um grupo de cerca de 20 famílias que aprendeu o modo tradicional de “fazeção” da farinha Bragantina com Seu Bené, que agora mantém e replica a técnica junto a agricultores mais jovens. Apesar do sucesso na replicação dessa técnica tradicional da farinha, os agricultores da região ainda dependem de comerciantes atravessadores, que baixam muito o preço do produto no momento da compra direta nas propriedades. Com isso, a farinha de extrema qualidade, muitas vezes, é desvalorizada em função de preços mais baixos praticados por produtores de regiões próximas que utilizam outras técnicas de produção, mas que originam uma farinha mais dura e de qualidade inferior.

Responsável
Referentes Slow Food
Tainá Khalarje (Slow Food Brasil - Facilitadora Norte): t.khalarje@slowfoodbrasil.com - +55 91 98254-0882
Carlos Demeterco (Slow Food Brasil - Facilitador Norte): c.demeterco@slowfoodbrasil.com - +55 92 99492-3900

Referente Fortaleza
Benedito da Silva (Bené): +55 91 99943-3745

Parceiro técnico

     logo-icmbio-png-570x570.png       IFPA.png      ematerPA.gif

Apoiada por:

iacitata-logo.gifpointacai.gif   Resultado de imagem para uniao europeia

logo projeto completa

Conheça mais sobre Slow Food InternacionalFundação Slow Food para BiodiversidadeTerra MadreUniversidade das Ciências Gastronômicas

» SLOW FOOD BRASIL | Login »»

© 2013 Slow Food Brasil. Todos os direitos reservados aos autores das fotos e textos.
Não é permitido reproduzir o conteúdo deste site sem citar a fonte, link e o autor.
Design e desenvolvimento: DoDesign-s