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Sobre o Cubiu
cubiu Originário da Amazônia Ocidental, o cubiu (também conhecido como tomate-de-índio, maná, maná-cubiu, manacabiu), foi domesticado pelos indígenas pré-colombianos na amazônia brasileira, peruana, colombiana e venezuelana. É fruto de uma hortaliça da família das solanáceas, a família do tomate, da berinjela e da jurubeba. Substitui perfeitamente o tomate convencional, sendo caracterizada, em algumas regiões, como uma planta alimentícia não-convencional (PANC).

Encontrado em quintais e roçados domésticos pelo território de ocorrência, poucos são os relatos de plantios comerciais desse fruto, geralmente vendidos em pequena escala nas feiras das cidades do interior da Amazônia. O pé de cubiu é facilmente cultivável, apresentando boa rusticidade. O tamanho da planta adulta varia entre 1 e 2 metros, com grandes folhas verdes e aveludadas, que podem variar entre 30 a 60 cm. Tem preferência por sombra e não possui espinhos; produz frutos tipo baga de tamanhos variados, entre 7 a 10 cm de comprimento. Apresenta alto teor de acidez, podendo pesar entre 100 e 400 gramas. É indicado para combate a níveis altos de colesterol.

O cubiu é um fruto muito versátil, e pode ser utilizado para o preparo de sucos, geleias e doces. É muito utilizado em receitas interioranas, nas comunidades rurais e tem um grande potencial para ser comercializado nos centros urbanos. Pode também ser utilizado em saladas, assim como no preparo de molhos salgados, molhos apimentados, cozidos em caldeiradas de peixe, ou cozidos com carne bovina.

A Fortaleza
A Fortaleza Slow Food do Cubiu, formada pela Associação de Agricultores e Produtores Rurais Raios de Sol, surgiu em 2016, a partir da necessidade de defesa do fruto pelo qual a comunidade passou a ser tão reconhecida na região de Manaus. Apesar da versatilidade e do potencial do cubiu, a maior parte da população, seja urbana ou rural, desconhece sua existência.

Nesse sentido, infelizmente é comum o fato de muitas comunidades rurais realizarem o corte dos pés de cubiu que existam em suas propriedades, pelo desconhecimento de como processar, consumir ou armazenar os frutos. Ou seja, por simplesmente desconhecerem o fruto nativo ou não saber como consumi-lo, hoje muitos agricultores descartam essa planta, colocando-a em sério risco de desaparecer da cultura alimentar amazônica. Isso demonstra, de maneira muito forte, que uma intervenção se faz necessária no sentido de se resgatar e fortalecer a cultura do cubiu no Brasil, principalmente na região amazônica, que perfaz seu centro de origem. Caso essa cultura alimentar se perca, perderemos importantes fontes naturais genéticas dessa espécie, comprometendo o resgate do cubiu na cultura alimentar do Norte do Brasil.

A produção do fruto, em anos anteriores, era maior, muito mais pela espontaneidade na germinação das sementes do que por plantio e cultivo propriamente dito. Os agricultores relataram que é exatamente a espontaneidade da germinação que dá sucesso à planta que, rústica e nativa, desenvolve-se muito bem em solos que outras plantas não crescem. A maior parte dos processados, tais como sucos, geleias, compotas e doces, é preparada pelas mulheres da comunidade.

É exatamente em função desse contexto que a Fortaleza Slow Food do Cubiu foi estabelecida na região Norte do Brasil. Uma vez que o fruto é muito comum na área da comunidade, algumas pessoas, principalmente mulheres, começaram a processá-lo, mesmo que de forma muito simples. Quando percebeu-se as diversas formas de utilização do cubiu, vários moradores reforçaram o cultivo. Com isso, a comunidade passou a ser conhecida pela produção de cubiu, assim como pelo processamento do fruto e confecção de geleias, doces e sucos. A produção é agroecológica, sem uso de agrotóxicos, mesmo que ainda não certificada como orgânica. Dessa maneira, a Fortaleza protege este que é um fruto de forte característica de identidade cultural dos povos da Amazônia. Ademais, a Associação Raios de Sol também está envolvida na luta de acesso à terra, já que a área, doada pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) há quase 10 anos, é alvo de grilagem e especulação. Após anos de enfrentamentos e ameaças de todos os tipos, como violência contra a mulher e ordens de desejo, frente ao envolvimento com o movimento Slow Food, os agricultores hoje estão em processo de regularização fundiária reconhecida pela Suframa e pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, o INCRA.

Área de produção/território
A área de produção da “Fortaleza do Cubiu” limita-se à zona rual do Município de Manaus, Amazonas, Região Norte, Brasil, em plena Amazônia. Está situada há cerca de 60 Km da zona urbana de Manaus, no Distrito Agropecuário da Superintendência da Zona Franca de Manaus, a Suframa. A macrorregião onde a comunidade se encontra é conhecida como ZF-1 (Zona Franca 1), denominação adotada pela Suframa.

Doada pela Suframa à comunidade, a área da Fortaleza apresenta extrema beleza natural, com áreas de floresta amazônica em bom estado de conservação, com igarapés de água limpa e ocorrência de espécies de animais e de plantas de todos os tipos. Abrange uma área onde são cultivados também outros tipos de plantas além do cubiu, como o mamão, o cupuaçu, o buriti, o ariá, a taioba, o inhame, o cará-roxo, a macaxeira e a mandioca.

Agricultores e produtores
Cerca de 30 pessoas têm interesse na atividade do cultivo e manejo do cubiu na região. Dessas 30, cerca de 15 ainda possuem a planta do cubiu em seus terrenos, e as demais querem resgatar essa cultura.

Responsável
Referente Slow Food
Carlos Demeterco (Slow Food Brasil - Facilitador Norte): c.demeterco@slowfoodbrasil.com / +55 92 99492-3900

Referentes Fortaleza
Heloisa Soares (Presidente da comunidades): +55 92 99327-8453
Isonina Figueira (Tesoureira da associação): jordaofigueira@gmail.com / +55 92 99363-3655

Parceiro técnico

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