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Sobre o Waraná Sateré-Mawé
Guaraná Nativo Sateré-Mawé (Arquivo DoDesign-s)O guaraná, fruto comumente conhecido no mundo todo, tem, na verdade, um nome originário no Brasil: waraná. Waraná é o nome originário, no idioma Sateré-Mawé, do qual deriva, em português, a palavra guaraná. Trata-se da planta como um todo, em especial o fruto e a semente do waraná, cultuado pelos Sateré-Mawé, por conter o princípio espiritual do “Wará”, ou seja, “a explicação”, “o ponto de início de todo o conhecimento”.

Em seu estado selvagem o waraná é um cipó, e pode atingir até cerca de 12 metros de altura. E é exatamente nas alturas onde se encontram as folhas lisas e verde-escuras da planta, e também onde os frutos de casca vermelha, polpa branca e semente preta nascem em lindas e grandes ramas na floresta. Porém, foi justamente o povo Sateré-Mawé o ator principal na semi-domesticação dessa planta, a partir do momento em que passou a manejar os “filhos do waraná” (as mudas das plantas selvagens) em áreas de cultivo, onde os cipós se tornam arbustos. A colheita das ramas é realizada logo antes dos frutos amadurecerem, entre os meses de janeiro e março.

Tudo que se conhece atualmente sobre os mais variados produtos advindos desses frutos, deve-se ao fato da semi-domesticação do waraná realizada pelo povo Sateré-Mawé. Dessa forma, o fruto é componente central da cultura desse povo, em suas mais variadas formas de uso: consumido principalmente em pó com água, após passar pelo processo tradicional de secagem, torra e moagem. Sendo assim, é ponto central dos rituais, das reuniões, dos encontros do povo Sateré-Mawé, originando a sagrada bebida conhecida como “Çapó”.

A área de produção do waraná e todos os produtos oriundos desse processo, abrange a Terra Indígena Andirá-Marau (Decreto 93.069/1986). A área recebeu esse nome, pois é delimitada pelas cabeceiras do Rio Andirá, ao norte, e do Rio Marau ao sul. Está situada na fronteira entre os estados do Amazonas e Pará, região Norte do Brasil, e abrange parte dos municípios de Parintins, Barreirinha e Maués (no Amazonas) e Itaituba, Aveiro e Juruti (no Pará), territórios do Baixo Amazonas dos estados do Amazonas e do Pará, no bioma Amazônia. Corresponde a uma área cujo usufruto é exclusivo à etnia Sateré-Mawé, que tradicionalmente a ocupa, com base no Art. 231 da Constituição Brasileira.

O povo Sateré-Mawé conta com cerca de 14.000 pessoas distribuídas em cerca de 120 aldeias na Terra Indígena. Além das áreas correspondentes a essas aldeias, a área de produção também abrange algumas comunidades que estão fora da área delimitada como Terra Indígena, mas onde também vivem Sateré-Mawé que conquistaram o direito de ocupação tradicional e ancestral. Os moradores dessas comunidades indígenas, que estão fora da Terra Indígena, são reconhecidas como parte do povo Sateré-Mawé pelo Conselho Geral da Tribo Sateré-Mawé (CGTSM), e participam da organização sociocultural autônoma do povo.

Em 1999 toda essa área pertencente ao povo Sateré-Mawé, dentro e fora da Terra Indígena, foi definida pelas lideranças tradicionais como “Satere-Mawe eko ga’apypiat warana mimotypoot sese”, ou seja: “Santuário Ecológico e Cultural do Waraná dos Sateré-Mawé”. Nesse sentido, o CGTSM garante a existência e funcionamento do Consórcio dos Produtores Sateré-Mawé (CPSM), que representa e faz a gestão de toda a produção de waraná dos produtores consorciados.

As condições ambientais e de cultivo do waraná destinado à produção dos produtos derivados devem ser aquelas derivadas das técnicas, dos conhecimentos tradicionais e do específico relacionamento de natureza mítico-religiosa que une simbioticamente os indígenas Sateré-Mawé ao waraná.

A Fortaleza
A Fortaleza do Waraná foi criada entre os anos de 2006 e 2007, com o intuito de reconhecer e fortalecer a cultura do waraná nativo pelo povo Sateré-Mawé. É mantida pelos produtores ligados ao Consórcio dos Produtores Sateré-Mawé (CPSM) que, por sua vez, integra o Conselho Geral da Tribo Sateré-Mawé (CGTSM), maior órgão de representação política do povo originário. O CPSM faz toda a gestão, controle, processamento e comercialização do waraná em bastão (pão de waraná) e em pó. O CPSM também representa os produtores Sateré-Mawé em eventos nacionais e internacionais, bem como em espaços políticos relacionados à questão indígena.

Área de produção/território
Terra Indígena Andirá-Marau. Amazônia, Brasil

Agricultores e produtores
Atualmente mais de 200 produtores integram o CPSM e, consequentemente, a Fortaleza do Waraná. A maior parte destes vive dentro da Terra Indígena Andirá-Marau, em suas diversas aldeias. Alguns produtores, no entanto, vivem também em comunidades do entorno da TI.

Responsáveis
Referente Slow Food
Carlos Demeterco (Slow Food Brasil - Facilitador Norte): c.demeterco@slowfoodbrasil.com / +55 92 99492-3900

Referentes Fortaleza
Obadias Garcia (CGTSM): obadiasgarcia@gmail.com / +55 92 99146-8104
Eudes Batista (CPSM): eudesl.batista@gmail.com / +55 92 99138-8367
Sérgio Garcia Wara (CPSM): sergiosatere@gmail.com / +55 92 99327-2793
Kapi Parakari (Jesiel) (CGTSM): wasaitukai@gmail.com / +55 92 99529-4279

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