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Castanha de Baru (Arquivo Cedac)Baru do Urucuia Grande Sertão
O fruto do baru, de cor marrom-claro, apresenta tamanho muito variado podendo medir entre 1,5 a 5 cm de comprimento e tem apenas uma semente (entre 1 a 3,5 cm). A polpa e a amêndoa do baru são comestíveis. A polpa é perfumada e adocicada e a castanha é mais suave e tem sabor parecido com amendoim.

O Vale do Rio Urucuia localiza-se predominantemente na região Noroeste de Minas. Este território abrange uma área de 60.906,30 Km² e é composto por 22 municípios. A população total do território é de 295.829 habitantes, dos quais 79.907 vivem na área rural, o que corresponde a 27,01% do total, destes.Este é um território formado de diferentes realidades econômicas, sociais, ambientais, culturais, marcado por um profundo contraditório social construído ao longo de seus anos de colonização e exploração, destaque-se o grande número de assentamentos de reforma agrária e de propriedade de agricultores familiares que encontram-se de um lado e de outro as grandes propriedades do agronegócio.

Além do potencial ambiental e cultural, vale ressaltar o capital social organizado já existente e atuante no território, que começou a se organizar a partir da Agência de Desenvolvimento Regional Vale do Rio Urucuia,criada em 2000 que por meio de seus idealizadores estreitou parcerias principalmente com o SEBRAE a partir daquele ano, e com a Fundação Banco do Brasil a partir de 2003 para promoção de projetos e ações de formação de lideranças, associativismo, cooperativismo, arranjos produtivos, bem como organização de parceiros locais com formação, capacitação e realização de encontros regionais que permitiu o diálogo desde então, com foco no desenvolvimento sustentável do território. Ações e projetos estruturantes foram realizados principalmente visando a diversificação das bases produtivas a partir das vocações e potencialidades da região.

As cadeias foram estruturadas com participação de grupos de interesse das famílias rurais e junto a elas ações de capacitação e projetos de estruturação de fábricas, unidades de produção, apoio com assistência técnica foram implementados. Com o fortalecimento dos arranjos produtivos viu-se a necessidade de estruturar o escoamento da produção por meio da comercialização.  A necessidade de se constituir um mecanismo jurídico a partir das pessoas envolvidas para assumirem o processo de articulação das bases produtivas e garantir a comercialização e processamento da produção, nascendo assim a COPABASE, cooperativa regional que há 9 anos vem atuando apoiando as famílias com assistência técnica, implantação de áreas produtivas de fruticultura, apicultura, práticas extrativistas sustentáveis e principalmente na agregação de valor aos produtos por meio da agroindustrialização e comercialização junto a potenciais mercados local, regional e nacional, e tem atuado principalmente no mercado institucional com a PNAE (Política Nacional de Alimentação Escolar), fornecendo produtos de qualidade para alimentação escolar contribuindo assim com o fomento à segurança alimentar e nutricional de jovens e crianças.

O extrativismo de baru na região, de modo geral, começou a ser mais difundido há pouco mais de dez anos. Antes disso era um trabalho mais pontual, abrangendo poucas famílias e mais para consumo próprio. Muitas pessoas da região relataram que os pais não deixavam comer baru, pois dava pereba (machucado). Mas com a grande procura de baru na região, assim como a ampliação das ações da COPABASE, muitos agricultores estão dando prioridade à coleta, quebra e torra do baru na época da safra, entre final de julho e setembro, do que na sua produção agrícola (roça) ou pecuária (gado).

O baru (Dipteryx alata ) é uma leguminosa arbórea originária de matas e cerrados do Brasil Central mais encontrada em terrenos secos. Os frutos são coletados manualmente depois da queda e, geralmente em áreas de vegetação nativa, áreas podendo ser particulares de terceiros, em unidades de conservação ou em áreas próprias. A quebra da casca dura é feita principalmente com o auxílio de uma foice (facão adaptado) e a torra na panela em fogão à lenha.

O gosto da amêndoa do baru é parecido com do amendoim, leva a população da região a atribuir-lhe propriedades afrodisíacas: diz-se que na época do baru, aumenta o número de mulheres que engravidam. O que já se sabe é que o baru tem um alto valor nutricional que, superando os 26% de teor de proteínas, é acima do encontrado no coco-da-bahia.

A Fortaleza
A Fortaleza do Baru, apesar de ter sido criada recentemente, com as ações tendo iniciadas em maio de 2017 no município de Arinos-MG, desde as primeiras atividades para melhoria de toda a cadeia produtiva do baru na região, suas ações foram sendo expandidas para todo o Vale do Rio Urucuia. Essa rápida expansão e difusão da Fortaleza e do movimento Slow Food de modo geral, só foi possível graças à parceria conjunta em todas as atividades de duas cooperativas, a Central do Cerrado com sede em Brasília-DF e, principalmente, a COPABASE, cooperativa da região com sede na Cidade de Arinos. Ambas as cooperativas já trabalhavam na região com outros produtos além do baru, que era mais forte no município de Arinos.

Área de produção
As ações da Fortaleza já alcançaram o público das cidades, de comunidades tradicionais, assentamentos e vários núcleos de produção extrativista nos municípios de Arinos, Uruana de Minas, Natalândia, Riachinho, São Romão, Dom Bosco, São Francisco e Unaí.

O nome dado à Fortaleza do Baru do Urucuia Grande Sertão foi justamente devido à pretensão inicial de expansão das ações da COPABASE para toda a região do Vale do Rio Urucuia, cuja vegetação ainda se encontra conservada em diversas localidades e apresenta grande abundância de diversos frutos nativos. Através de ações da COPABASE ainda houve promoção e articulação de ações voltadas para consolidar a Fortaleza nos municípios de Bonfinópolis de Minas, Buritis, Chapada Gaúcha, Pintópolis e Urucuia.

Agricultores e Produtores
Os agroextrativistas da Fortaleza são principalmente cooperados da COPABASE (Cooperativa da Agricultura Familiar Sustentável com Base na Economia Solidária).

Responsável pela Fortaleza
Referente Slow Food
Denise Barbosa Silva 
Luis Roberto Carrazza

Referente Fortaleza
Dionete Figueiredo Barboza (COPABASE)
Warllei Oliveira (COPABASE)

Parceiro técnico
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Apoio
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