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Santa Luzia do Caranatuba é uma comunidade tipicamente ribeirinha, muito dependente dos rios, lagos e igarapés, e também da floresta. A região do Uatumã possui muitas comunidades, porém são distribuídas por uma extensão muito ampla, sendo que o deslocamento entre uma comunidade e outra pode levar mais de 5 horas utilizando-se uma voadeira (espécie de barco rápido). Muitas comunidades são isoladas, inclusive umas das outras. Santa Luzia do Caranatuba é acompanhada e apoiada por iniciativas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, o Idesam, por meio de ações de incentivo à agroecologia e comercialização dos produtos regionais. Essa comunidade foi a primeira a ter um Sistema Agroflorestal implantado pelo instituto, em 2010, em parceria com os moradores.

A região do rio Uatumã é caracterizada pela exploração histórica do Pau Rosa, uma árvore de grande porte nativa da Amazônia, da qual se extraía a essência, em sistemas muito parecidos com os seringais. Essa essência era enviada à Europa para a fabricação de perfumes, entre as décadas de 50 e 70, utilizada como um potente fixador para perfumes como o Channel n° 5.

Com o fim da exploração dessa essência, os trabalhadores acabaram por permanecer na região, muitos oriundos do Nordeste brasileiro, abandonados à própria sorte. Com isso ocorreu a formação de muitas comunidades ribeirinhas ao longo das margens do Rio Uatumã, um dos principais afluentes da margem esquerda do Rio Amazonas, ao exemplo da comunidade de Santa Luzia do Caranatuba. Além do Pau Rosa, os trabalhadores da época também exploravam madeiras e castanha, principalmente. É um local onde se pode, hoje, encontrar vários pés de Pau Rosa, que foram plantados há cerca de 40 anos, por moradores da própria comunidade, como forma de identificação com a espécie dessa árvore.

Os agricultores praticam o cultivo da mandioca, cultura mais comum entre os povos da Amazônia, além do manejo de seus quintais agroflorestais e, mais recentemente, a Comunidade se mostrou bastante empolgada com o plantio de banana, que já se iniciou totalmente de forma agroecológica. Há também a coleta extrativista de frutos e outros produtos alimentícios naturais, diretamente na floresta, também é uma prática muito comum, que enriquece a dieta dos moradores da comunidade. A pesca artesanal também faz parte da rotina quase que diária dos moradores, assim como a caça, mesmo que em escala mais baixa. Com isso, os agricultores familiares produzem uma gama de produtos, como  farinha de mandioca, goma de mandioca, pé de moleque, tucupi, que são produzidos sem nenhuma adição de produto químico, do plantio ao beneficiamento,além de praticarem a coleta de tucumã, castanha e extração de óleo e da resina de copaíba.  

Os sabores dos alimentos são características muito ligadas à Cultura Alimentar da região Norte do Brasil, em especial no estado do Amazonas. Além disso, a dieta dos moradores depende, em grande parte, dos alimentos regionais que são por eles acessados nas áreas da comunidade.

 

Estado/Região/Território: Amazonas/Região Norte

Municípios: São Sebastião do Uatumã

Referência da Comunidade:  Aldemir Lira e Osmar Lira, (92) 99321-6477 (tratar com Jefferson)

Esta Comunidade do Alimento foi incluída na rede Slow Food pelo projeto:

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