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A Comunidade está organizada na forma da Associação de Moradores da Comunidade Nossa Senhora do Livramento e assim como a maior parte das comunidades que hoje estão na área da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uatumã (RDS Uatumã), a comunidade foi formada por trabalhadores remanescentes da época de exploração do Pau Rosa. Essa é uma das árvores mais valiosas da Amazônia, da qual se extrai um óleo de odor muito agradável e acentuado, que possui propriedades químicas para fixação de perfumes, o que despertou o interesse das perfumarias europeias durante a década de 80. Com isso, muitas pessoas migraram para a região, grande parte dos estados do Ceará e Maranhão, para trabalhar na extração. Com o declínio da atividade, os trabalhadores foram abandonados pelas empresas e permaneceram na região, fundando muitas das comunidades ribeirinhas hoje existentes.

Nossa Senhora do Livramento fica na porção média da RDS, de demorado acesso e em uma das regiões mais belas da Amazônia brasileira. A exploração do Pau Rosa é emblemática para a região, mas aí também muito se explorou outros tipos de madeira de lei, além da castanha do Brasil.

Com o passar dos anos, as populações que se instalaram na região foram aprendendo bem a conviver com a realidade da Floresta Amazônica e com a dinâmica dos rios, fixando-se e se organizando em comunidades como é Nossa Senhora do Livramento. Atualmente os moradores dessa comunidade contam com forte apoio técnico do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, o Idesam, que desenvolve ações de implementação de Sistemas Agroflorestais e cultivos agroecológicos

A comunidade do Livramento mantém uma dinâmica tipicamente amazônica, com atividades basicamente voltadas à agricultura familiar, sem uso de agrotóxicos, para consumo próprio, principalmente baseada no cultivo da mandioca, conhecido como roçados. A pesca tradicional também é atividade marcante nessa comunidade, acompanhando a dinâmica de cheia e seca dos rios. Essa dinâmica dita a vida das populações ribeirinhas, que focam na pesca durante os períodos de seca, quando os peixes têm “menos espaço” para se espalhar, como os próprios moradores definem. Durante a cheia a dinâmica muda um pouco, e o extrativismo ganha força, mesmo sendo praticado durante todo o ano. Ao final da época das chuvas e da cheia, durante a vazante, os plantios ganham destaque, aproveitando a exposição de áreas antes inundadas.

Os produtos de destaque são os seguintes: farinha de mandioca, goma de mandioca, pé de moleque de mandioca, tucupi, que são produzidos sem nenhuma adição de produto químico, desde o plantio até o beneficiamento, e também o tucumã, castanha do Brasil. Há também o cultivo de banana, açaí e andiroba, iniciados com muito ânimo e de forma totalmente agroecológica.

Todos os alimentos registrados são parte da Cultura Alimentar do estado do Amazonas e também da região Norte do Brasil. Os sabores são únicos e fazem total alusão à realidade da região, apresentando potenciais reais para aproveitamento além do consumo in natura, inclusive para uma diversificação de produtos a partir dos alimentos locais, como o tucumã do Amazonas, a castanha do Brasil e outros. Além disso, esses alimentos fazem parte da base nutricional da comunidade, servindo como importantes fontes de nutrientes na dieta local.

Grande parte do que é produzido, ou diretamente extraído da floresta, é consumido localmente pelas famílias, sendo o excedente comercializado, mas ainda muito dependente de atravessadores. É necessário empoderar, cada vez mais, os agricultores e suas famílias nos processos produtivos, em busca do justo.

 

Conheça mais sobre os produtos:

Farinha de mandioca: alimento tradicional preparado com as raízes da mandioca, que é lavada, descascada, moída, prensada no tipiti (prensa artesanal feita de palha, onde a massa lavada é colocada para escorrer) e, por último, torrada no tacho sobre o forno à lenha.

Pé de moleque de mandioca: consiste em uma barra produzida a partir da massa da mandioca, como se fosse um bolo, enrolado na folha de bananeira e assado no tacho.

Goma de mandioca: feita com a fécula extraída da mandioca, conhecida também como polvilho ou polvilho doce, de coloração branca e consistência suave.

Tucupi: sumo extraído no momento em que a massa moída e molhada da mandioca é prensada no tipiti. Esse sumo é fervido e dá-se origem ao tucupi.

Tucumã do Amazonas: fruto de palmeira nativa da região amazônica, muito apreciado principalmente no estado do Amazonas, onde se consome a polpa in natura.

Castanha do Brasil: espécie nativa da região amazônica e muito conhecida mundialmente pelo consumo de suas amêndoas.

 

Estado/Região/Território: Amazonas/Região Norte

Municípios: São Sebastião do Uatumã

Referência da Comunidade: Orimar Sicsu e Papa, (92) 99321-6477 (tratar com Jefferson), jefferson.souza@idesam.org.br

 

Esta Comunidade do Alimento foi incluída na rede Slow Food pelo projeto:

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