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A Comunidade engloba uma reserva indígena da Aldeia São Francisco Tauamirim, em Tapauá, no Amazonas, da etnia Apurinã.  A tribo indígena Apurinã é uma etnia de linguística Arawak, com população espalhada sobre 1600 quilômetros do Rio Purus, de Rio branco até Manaus. A diversidade da região Amazônica permite a instalação da tribo, oferecendo garantia de água, diversos tipos de frutas, tubérculos e batatas permitindo a pesca para consumo próprio e principalmente a sobrevivência na mata por meio de medicinais naturais, produtos utilizados tanto na alimentação quanto na etnomedicina.

A comunidade indígena Apurinã é bem organizada e autônoma já fizeram capacitação em Cuba, e, há 17 anos, produzem com escoamento realizado pela própria etnia, em feiras centralizadas de Manaus como a Agroufam (Feira dos produtores orgânicos da Universidade Federal do Amazonas, Suframa e outras) há culturas vegetais que são manejadas e cultivadas (catuaba, cipó-alho, gengibre) e também há outras que são retiradas de forma extrativista, o que é muito comum na região. Cada área da região Amazônica possui suas peculiaridades e suas espécies endêmicas, ou os centros de origem de determinadas espécies.

Os indígenas são extremamente organizados, a marca  Macaya Artesanatos Produtos Naturais é conhecida nas feiras. Também há produção de artesanatos indígenas como biojóias e trançados com palha de tucumã e rio titica para fabricação de esteira e outros artefatos. Os produtores resguardam muitas plantas alimentícias não convencionais, conhecidas como PANCs como cubiu, jambu, cariru, ingá, cará do ar, taioba, espinafre Amazônico e várias outras.

A comunidade passou a ser conhecida, na região de Manaus pela etnomedicina e seus extratos naturais de sucesso. A produção da matéria prima é tradicional sem uso de agrotóxicos, o manejo agroecológico é realizado pelos indígenas que conservam seu território sem derrubada de árvores permitindo um sistema agroecológico consorciado de espécies frutíferas, hortaliças madeireiras e medicinais em uma área muito bem irrigada pelo rio médio Purus.

No cultivo da mandioca produzem farinha e beiju, o pinhão branco e roxo são cultivados assim como ananás, taioba, goiaba, cana, tabaco, cidreira, etc. Além disso, a conservação das áreas naturais garante os serviços ecossistêmicos os quais fortalecem a produção agroecológica e a conservação de espécies endêmicas. A comunidade está imersa em uma área de reserva indígena, com presença de fruteiras nativas passíveis de manejo extrativista, bem como de espécies da fauna de topo de cadeia, como a onça-pintada, e ainda animais como anta, harpia e diversas espécies de aves e primatas.

Assim, a Comunidade produz uma diversidade de espécies vegetais de forma artesanal étnica. Perfazem a geração de renda da comunidade e muitas pessoas estão envolvidas na produção desses chás e infusões, realizam a comercialização nas feiras urbanas principalmente de Manaus. O representante da medicina tradicional Iuri Magno vai para comunidade todo mês e volta de avião trazendo produtos para serem comercializados nas feiras fixas de Manaus. Um melhor acesso a comunicação digital propiciará agilidade na comunicação com o consumidor e ainda as vias de comércio justo. Uma boa oportunidade para os indígenas no sentido de se organizar e acessar um mercado importante. O conhecimento de tratamentos e controle de enfermidades através da etnomedicina contribui para o aperfeiçoamento das políticas e programas de saúde do país levando-se em conta os desafios à sua aplicabilidade em contextos de interculturalidade.

Na aldeia se encontram 23 produtos na medicina tradicional nativos da floresta Amazônica e necessita de amplo reconhecimento e difusão na região. São alimentos, desde ervas à frutíferas e hortaliças além do mel, sucuba, o guaraná, espinafre Amazônico, buriti, cipó-alho, catuaba, gengibre. Possui um sabor agradável e propriedades nutricionais que auxiliam no combate a altos níveis de colesterol, antitumoral, antigripal, controle do diabetes, bactericida uma infinidade de usos para enfermidades.  Tradicionalmente utilizados em várias receitas regionais, chás e infusões medicinais.

Os produtos são colhidos frescos, na floresta e são, processados em uma bioindústria dentro da aldeia.  A distribuição dos bioprodutos não madeireiros no estado do Amazonas mostra claramente que não há continuidade nem homogeneidade entre microrregiões vizinhas. É possível afirmar que bioprodutos do mesmo tipo originados em microrregiões diferentes têm características distintas entre si, por estarem afastados centenas de quilômetros um do outro. A catuaba por exemplo, encontrada na aldeia pode ter propriedades organolépticas diferentes da mesma espécie encontrada em outra região assim como o guaraná produzido pelos saterê.

A produção é totalmente de base indígena, sob condições dignas implementadas pelos próprios indígenas da aldeia os quais também fizeram capacitações fora do país e outros cursos. O processamento é realizado na bioindústria, realizado de maneira coletiva no local e a venda é feita diretamente ao consumidor, sem atravessadores, nas feiras urbanas de Manaus, assegurando um preço justo implementado pelos próprios indígenas.

 

Estado/Região/Território: Amazonas/Região Norte

Municípios: Tapauá/Região do Médio e Baixo do rio Purus

Referência da Comunidade: Iuri Magno Silva/(92) 992823978

 

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