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A Comunidade Sítio Mearim é também o nome de um projeto de desenvolvimento local, que abrange atores da agricultura familiar dessa microrregião, envolvendo técnicas de produção orgânica e valorização dos alimentos regionais que aumentarão o empoderamento das famílias. As famílias de Sítio Mearim realizam suas atividades, diversas vezes, em forma de mutirões, em áreas de plantio com diversidade de cultivares agrícolas e florestais. Os roçados são os tradicionalmente conhecidos, mas também existem os quintais agroflorestais, com diversidade interessante de árvores frutíferas nativas.

Todos os alimentos, seja os frutos ou as preparações, são regionais e têm forte ligação cultural com a população local. São produtos consumidos tradicionalmente no estado do Pará, além de as preparações serem mantidas há anos, contando com a sabedoria de uma tradição local, pois as técnicas de produção utilizadas são técnicas passadas de geração para geração, mantendo metodologias. Essas técnicas garantem a produção de alimentos orgânicos, tanto os frutos quanto às preparações.

Os alimentos carregam sabores únicos e que fazem associar o ato de comer ao local de origem dos mesmos. Frutos como bacuri, tucumã e taperebá são muito representativos no Pará, além terem sabores únicos. A farinha de carimã e a manicuera, por exemplo, são preparações muito apreciadas pelos paraenses, e também por pessoas que não são nativas da região.

A Comunidade produz os seguintes alimentos:

  1. Arroz vermelho: Também conhecido como “Arroz Novo”, é plantado em meio aos roçados é colhido de forma artesanal, utilizado no preparo de mingaus e no preparo da Manicuera. Também faz parte da Arca do Gosto.

  1. Gergelim: é também plantado em meio aos roçados e colhido para o preparo de paçocas com farinha d'água e açúcar.

  1. Farinha de Tapioca com coco: produzido a partir da goma de tapioca, de forma artesanal, onde os grãos da farinha são boleados à mão e adiciona-se coco ralado em seu preparo. A farinha de tapioca, assim como beijus e outros subprodutos da mandioca, é sempre preparada no final de uma produção de farinha d'água, aproveitando-se a temperatura do forno e economizando a lenha usada.  

  1. Farinha de Carimã: produzida a partir da seleção de um tipo de mandioca brava branca ou creme, onde a mesma é triturada, lavada mais de duas vezes para extrair a goma de tapioca, e depois é socada com um pilão, para se ter uma textura mais fina. É tradicionalmente utilizada no preparo de mingaus para bebês, como papinhas. É um tipo de farinha seca, fina e rica em amido.  

  1. Tucupi tradicional: produzido a partir da mandioca ralada e espremida no tipiti. Cozido e temperado com alfavaca, chicória e folhas de cipó de alho. Utilizado para o preparo de molhos com pimenta e preparo de galinha e pato, por exemplo.

  1. Mandiocaba: Espécie de mandioca naturalmente mais açucarada, cultivada para o preparo da manicuera e comercializada nos períodos festivos, principalmente no mês de novembro, período de finados.

  1. Manicuera: Bebida do Tucupi de Mandiocaba com arroz vermelho. A espécie de mandioca, que é naturalmente mais açucarada, é utilizada no preparo da Bebida Manicuera. É tradicionalmente preparada e vendida pelas mulheres em frente a cemitérios na região, no período do feriado de finados, quando pessoas de regiões distantes se reúnem para homenagear os entes queridos que já se foram. Como vêm de muito longe, era muito comum se alimentarem de muita manicuera nesse período, o que a tornou uma preparação relacionada ao período de finados.

  1. Melaço de Tucupi: produto obtido do tucupi de mandiocaba, após um longo período de cozimento, adquirindo uma textura de melaço de cana.

  1. Tucumã: fruto bastante comum na região, consumido in natura, após amadurecer, ou adicionado em mingau de farinha. Na região de Sítio Mearim, atualmente é utilizado em molhos e geleias preparados e comercializados na região.

  1. Bacuri: fruto comum na região e de alto valor comercial, do qual se consome somente a pouca polpa. É colhido diretamente em pontos da mata onde as árvores se concentram, conhecidos como bacurizais. Atualmente, na região de Sítio Mearim, a casca do bacuri é utilizada no preparo de geleias. O fruto faz parte da Arca do Gosto.

  1. Taperebá: Fruto nativo muito apreciado pelos moradores no preparo de sucos. As árvores também estão naturalmente distribuídas pela região, e os frutos são colhidos diretamente na mata e nos quintais das propriedades. Atualmente a polpa também é utilizada para o preparo de geleias.

  1. Cupuaçu: Um dos frutos mais conhecidos também fora da região amazônica. Os cupuaçuzeiros são muito comuns nos quintais agroflorestais, e os moradores de Sítio Mearim comercializam a polpa localmente, além de utilizarem-na no preparo de doces e geleias.

  1. Licor de Cedro: Fruta Cedro, ou apenas Cedro, como é conhecido na região, é um fruto muito ácido utilizado para a produção de um licor na Região do Mearim. Durante um período de 8 a 12 meses o fruto é fermentado, com açúcar, até obter um leve teor alcoólico. E só após esse período de fermentação se obtém o líquido para a apreciação. De início era só para consumo familiar, mas com o passar dos anos houve uma procura maior, e então surgiu a idéia de se produzir para geração de renda. Hoje o produto também faz parte da divulgação do Projeto Mearim.

O alimento produzido é justo pois toda a gestão da produção é feita pelas famílias participantes dessa Comunidade do Alimento. Desde a produção em si, no campo, que é realizada também com mutirões, até os preparos e a comercialização. O preço é estabelecido pelos próprios agricultores e a venda é também realizada coletivamente, de forma direta aos consumidores.

 

Estado/Região/Território: Pará/Região Norte

Municípios: Curuçá

Referência da Comunidade: Elias Barata Modesto e Leonardo Modesto de Sousa/(91) 98181-2492/ sitiomearim@gmail.com

 

Esta Comunidade do Alimento foi incluída pelo projeto:

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