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A Comunidade está organizada na forma da Cooperativa dos Criadores de Abelhas Indígenas da Amazônia em Boa Vista do Ramos (COOPMEL) e é formada por é formada por 63 cooperados que iniciaram suas atividades com a meliponicultura há 15 anos, como mais uma atividade para geração de renda em suas propriedades. A ideia de se trabalhar com o manejo de abelhas nativas sem ferrão surgiu do potencial que os próprios agricultores viam na atividade, pois já atuavam nesse ramo. Porém, as atividades estavam orientadas principalmente no extrativismo do mel, retirado diretamente dos ninhos das abelhas.

Em parceria com o IMAFLORA, e com outras instituições como a Universidade Federal do Amazonas, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e o SEBRAE, os produtores se organizaram em uma associação, a ACAIÁ. Durante alguns anos, trabalharam sob essa categoria de organização social, investindo boa parte do tempo em capacitação dos produtores, desenvolvimento de novas técnicas de manejo das abelhas e de manipulação do mel.

Com o crescimento da produção e o aumento do número de produtores, fundou-se a Coopmel, atuando, então, como uma cooperativa. Entre 2012 e 2015, a Coopmel teve o apoio da Nordesta, uma fundação suíça, durante a construção da Unidade de Beneficiamento de Mel de Boa Vista do Ramos. Em 2015, tornou-se a primeira cooperativa a ser certificada pelo Serviço de Inspeção Estadual do Amazonas, na categoria de mel de abelhas sem ferrão.

A Comunidade trabalha exclusivamente com o mel de abelha nativa sem ferrão, em especial o mel de Jandaíra da Amazônia - produto que faz parte da Arca do Gosto -, também conhecida como uruçu-boca-de-renda, a Melipona seminigra. Além desta, alguns produtores também manejam colmeias de Jupará, a Melipona interrupta. Porém, mesmo com a certificação em mãos, a cooperativa enfrenta sérias dificuldades para comercializar o seu mel, seja no mercado convencional, seja no comércio justo. A atividade necessita de uma maior visibilidade, sendo também necessário considerar o diferencial dessa cultura, que se resume no manejo e na conservação de espécies de abelhas nativas da Amazônia, que produzem um mel de altíssima qualidade e mantêm a floresta tropical em pé.

Os méis são produzidos por agricultores familiares, que conservam a prática do manejo das abelhas nativas sem ferrão. Esse mel faz parte da cultura alimentar da região amazônica, pois está presente entre as comunidades tradicionais desde períodos pré colombianos. Ele possui um sabor muito apreciado pelas populações locais, servindo para o preparo de peixes e saladas. Além disso, as comunidades tradicionais consomem muito esse tipo de mel com a tradicional farinha de mandioca. É uma rica fonte de energia para os consumidores e também é muito utilizado também na medicina tradicional, no tratamento de várias doenças internas e feridas de pele.

 A produção resulta em um produto limpo em função das abelhas pertencerem a espécies nativas da região amazônica, não serem introduzidas, e as colmeias não serem retiradas diretamente da natureza. A partir disso as colmeias são monitoradas periodicamente pelos criadores, que as mantêm com muito cuidado.    

Na época de colheita, os produtores se organizam em grupos para ajudar uns aos outros, agilizando a ação. Uma tenda é montada dentro do meliponário, e duas pessoas ficam sob essa tenda, enquanto outras duas permanecem na parte externa, manejando as colmeias. Dessa maneira, sob a tenda, o mel é retirado das caixas com uma bomba de sucção (adaptada das bombas odontológicas), e acondicionados em bombonas de plástico (de leiteria). Após isso, o mel é diretamente levado para ser  pesado e refrigerado. Então o nível de umidade do mel é medido, para logo ser levado ao desumidificador, com o objetivo de diminuir essa umidade e dar maior longevidade ao produto. Após isso, o mel é envasado nos frascos de 240 g e destinado à comercialização. Avalia-se a possibilidade de se mudar esse processamento de desumidificação, para manter as características originais do produto, mesmo com altos níveis de umidade. Os produtores debatem com técnicos algum alternativa e alguma forma de boas práticas que sejam adequadas ao mel in natura.

As abelhas em produção não são alimentadas com xaropes ou aditivos químicos. Além disso, para a manutenção das próprias abelhas, não são utilizados agrotóxicos próximo aos meliponários, nem nos locais de visitação das abelhas. Muitos produtores recuperam suas áreas degradadas por meio do plantio de espécies de árvores frutíferas nativas e tradicionais, iniciativa que auxilia na alimentação natural das abelhas, e também na produção de frutos, por meio da polinização, para o consumo familiar e também para venda.

Alguns cooperados à Coopmel fabricam caixas para a criação das abelhas, que são comercializadas localmente com os próprios produtores. Além da meliponicultura, também estão presentes as roças de mandioca, a produção de farinha, a fruticultura, e pecuária bovina. A pesca tradicional é também praticada para o consumo familiar.

A produção do mel gera renda para as famílias dos cooperados, e tem o envolvimento também de mulheres, idosos e jovens, em função da relativa facilidade em manejar essas abelhas sem ferrão. Para garantir o retorno aos produtores, a cooperativa luta para garantir a venda do mel no mercado, o grande desafio atual para essa comunidade.

Estado/Região/Território: Estado do Amazonas, região do Baixo Rio Amazonas do Amazonas/Região Norte

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