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A Comunidade está organizada como Associação de Usuários da Reserva Extrativista Marinha de Tracuateua (AUREMAT). Essa Comunidade do Alimento é formada por agricultores familiares que produzem artesanalmente a tradicional farinha d’água, na região Bragantina, do estado do Pará, principalmente nos municípios de Bragança e Tracuateua.

A farinha é embalada em um paneiro, cesta feita com folhas de guarimã (palha nativa da região), confeccionada com técnica indígena. Essa forma natural de embalagem gera valor agregado ao produto não apenas por torná-lo mais durável e sustentável, mas também por ser um objeto de extrema beleza, tornando-o item decorativo e de fácil comercialização. Esta tecnologia ancestral estava sendo substituída há cerca de vinte anos por embalagens de plástico, as quais descaracterizavam o caráter sustentável do produto, que mantinha, por meio das fibras naturais e recicláveis, a farinha intacta e perfeita para consumo pelo período de até dois anos.

Preocupado com o avanço da industrialização, Seu Bené e sua companheira Dona Maria resolveram replicar a fazeção da farinha tradicional e de altíssima qualidade, atingindo mais de 20 comunidades na região, principalmente em Bragança e também Tracuateua, município este local de moradia do casal. Atualmente o número de agricultores interessados em produzir com o modo de “fazeção” tradicional aumenta de maneira interessante, pois esse modo conta com uma questão cultural muito forte para as populações rurais da região.

A região da Comunidade produz entre 800 a 850 toneladas por mês de farinha de mandioca. Desta produção destacam-se 30 agricultores que comercializam a farinha empaneirada. Produção per capita é de 1t, totalizando 30t, tudo isso dependendo da matéria prima em períodos específicos do ano.

A farinha d’água é consumida em toda região da Amazônia em todas as refeições: com frutas ou café no café da manhã, com peixes no almoço e jantar e acompanhando o tradicional Tacacá e também o açaí nos lanches da tarde.
A agricultura, pecuária e o extrativismo são as principais atividades praticadas na região pelas famílias de agricultores. A mandiocultura é o destaque da região e também do grupo de produtores envolvidos na fazeção da farinha empaneirada. A pecuária é marcada pela criação de gado tanto bovino quanto bubalino, para o aproveitamento da carne e do leite, principalmente. Já o extrativismo se destaca pela coleta de frutos nativos da região e também da pesca tradicional do conhecido caranguejo-uçá, além do marisco, estas duas últimas atividades praticadas nas áreas de mangue da região.  

A produção da farinha se dá pela manutenção da “fazeção” tradicional desenvolvida por mestres farinheiros nativos da região Bragantina, o que fez com que esse alimento ganhasse destaque nacional e internacional pela sua qualidade e foi disseminada por Seu Bené por mais de 20 comunidades rurais da região Bragantina, principalmente em territórios dos municípios de Bragança e Tracuateua. A farinha empaneirada é produzida de forma tradicional e muito cuidadosa. A mandioca colhida no dia é deixada de molho, com casca, por cerca de 3 a 4 dias. Após isso, é descascada e recolocada de molho por até 2 dias. Então é retirada da água, moída, lavada mais uma vez, prensada em prensa artesanal de madeira  (em sacas de juta) até a retirada total da água, peneirada e então torrada em forno de cobre. Após isso, os paneiros são confeccionados de maneira artesanal e neles é adicionado cerca de 1 litro da farinha. Essas simples técnicas garantem um sabor extremamente diferenciado de farinhas de outras regiões. Além da famosa farinha, são preparados também outros produtos a partir da mandioca, como a goma para tapioca, o beiju doce e salgado, o bolinho de mandioca, dentre outros.

 

A farinha é apreciada em toda a região Norte, e também em alguns estados do Nordeste do Brasil, a farinha Bragantina possui um sabor e uma crocância inigualáveis, além de um odor característico e que nos remete à região onde é preparada. Diferentemente das farinhas “convencionais” da região, a fazeção desenvolvida pelos mestres bragantinos garante a qualidade da farinha Bragantina por até dois anos.

O cultivo da mandioca é totalmente orgânico, sem uso de aditivos químicos, praticada em uma área de grande importância ecológica, o Salgado Paraense, é usado adubo orgânico produzido a partir do esterco do gado bovino branco (zebuíno). Durante o processo de fazeção da farinha, e também de outros produtos, não são adicionados produtos químicos, como conservantes e corantes, infelizmente ainda muito comuns em processos convencionais e industriais de produção de farinha.

O valor pago pelos compradores diretos (cerca de 3 empresas e pontos culturais) é justo, entre R$ 500,00 e R$ 600,00, considerando toda a questão cultural ligada ao produto e o modo de fazer. Porém, alguns agricultores que praticam a fazeção tradicional ainda dependem da compra feita por atravessadores, que acabam por reduzir muito o preço pago, o que cria a necessidade de se articular ações que superem esse desafio da comercialização ainda existente.

 

Estado/Região/Território: Pará/Região Bragantina e Salgado Paraense/Região Norte

Municípios: Bragança e Tracuateua

Referência da Comunidade: Benedito Batista da Silva (Seu Bené) e Daniel Gomes de Souza, 91 984714764

 

Esta Comunidade do Alimento foi atualizada pelo projeto:

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