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A Comunidade é formada por 157 pescadores e pescadores associados à Associação de pescadores e pescadoras de Remanso (APPR). Além desses existem 30 pessoas envolvidas no beneficiamento do peixe cari, sendo a maioria mulheres (aproximadamente 80% do total de 30 pessoas).

A pesca em Remanso é realizada artesanalmente pelos pescadores e pescadoras da APPR. As famílias envolvidas dependem economicamente dessa atividade para garantir renda e sustento. O beneficiamento do peixe é feito, majoritariamente, por mulheres (aproximadamente 80%), sendo vendido localmente e também para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) do Governo Federal. Atualmente, a pesca artesanal na região está ameaçada pelo avanço da pesca empresarial e pela hidrelétrica de Sobradinho, o que tem contribuído para a diminuição da pescado na comunidade de Remanso.

O peixe Cari, também conhecido como Acari ou Cascudo-preto pela couraça que recobre o seu corpo. É um peixe de água doce e pertence à família Loricariidae, sendo encontrado em diversões do Brasil. Em cada região recebe um nome distinto, sendo conhecido como: acari-bodó, bodó, boi-de-guará e uacari.

A pesca do peixe cari ocorre no período das chuvas, entre os meses de novembro a março. A época do defeso, quando se proíbe a utilização de redes de pesca, se inicia no dia 1º de novembro e se estende até 28 de fevereiro. Durante esse período, a piracema, só é permitida a pesca com anzol ou manual (apenas para a subsistência).

O peixe cari é o principal pescado dos pescadores ribeirinhos do rio São Francisco como fonte de renda e também para consumo das famílias de pescadores artesanais das comunidades ribeirinhas. Geralmente sua venda é feita diretamente no terminal pesqueiro, ou comercializado nas associações e cooperativas, usualmente filetado, sem os miúdos e placas.

A disponibilidade do peixe cari vem reduzindo por fatores como: construção da barragem de Sobradinho que afetou as rotas migratórias, pesca predatória e ilegal. Ademais, a pesca também sofre pelo assoreamento do rio São Francisco devido ao desmatamento de suas várzeas, matas ciliares,  poluição, queimadas, pois tudo isso afeta a ictiofauna existente nesse Rio.

A extração do peixe cari é feita artesanalmente, sem o uso da rede de pesca, sendo amigável ambientalmente, o que gera uma relação de respeito entre ser humano - natureza. O preço recebido pelo pescado é justo, pois os próprios pescadores o comercializam na comunidade, sem intermediários, e nos programas sociais do governo federal (Programa Nacional de Alimentação Escolar - PNAE). É  vendido in natura ou beneficiado. Recentemente as pescadoras iniciaram a produção de hambúrguer e patê com a carne desse pescado. Para fazer o hambúrguer, se tritura a carne do peixe, adicionam temperos e farinha de aveia para dar consistência, amassam e colocam em formato de carne de hambúrguer, em seguida cozinham essa massa. O patê é feito pela trituração do peixe (em liquidificador) após seu cozimento, adicionam-se temperos e assim tem-se o patê. Esses alimentos são diferenciados e propiciam singularidade à culinária local das comunidades ribeirinhas. O peixe destaca-se, também, pelo seu sabor peculiar, alto valor nutricional e consistência da sua carne.

A proteção do peixe cari é muito importante para as comunidades ribeirinhas, seja como fonte de renda e alimento, como também para a diversidade local, visto que a espécie está sujeita a desaparecer.  

 

Estado/Região/Território: Bahia/Região Nordeste

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