Slow Food Brasil

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A Comunidade é formada por  coletores de baunilha  que entram na mata entre os meses de março e maio para recoletar a baunilha do Cerrado que aparece de forma nativa, na Cidade de Goiás, município que é patrimônio histórico da humanidade.

Em torno de dez famílias, os “apanhadores” da baunilha do Cerrado a coletam e as vendem por unidades para dois donos de bancas no mercado municipal da cidade de Goiás ou para pessoas interessadas, como chefs e donos de restaurantes de outras cidades e Estados. O trabalho é manual e extrativista - houve tentativas de cultivar a baunilha, mas sem sucesso. As baunilhas cultivadas em quintais não se desenvolvem da mesma forma e são usadas para usos domésticos.

As questões ambientais são respeitadas pelos apanhadores, além de que dependem do florescimento da baunilha para seu sustento. Dessa forma, mesmo sendo uma atividade extrativista, não há degradação ambiental. Na verdade, eles se tornaram vítimas do avanço do agronegócio e das áreas urbanizadas sobre a Serra Dourada, o que faz reduzir o número de baunilhas coletadas a cada ano. Não há uso de produtos químicos nem nada que prejudique a saúde  do consumidor ou produtor, nem para a conservação do produto. Além disso, a forma natural da baunilha é mais saborosa e saudável que a versão artificial, líquida, produzida pela indústria.

A baunilha do Cerrado é considerada uma opção bem mais saborosa e melhor para a saúde que a versão produzida artificialmente e amplamente utilizada no Brasil. É usado na aromatização de diversos tipos de alimentos, principalmente de doces como sorvetes, chocolates, bebidas e bolos. Não apenas interfere no sabor final do prato como permite a conservação dos alimentos; também é usada em perfumaria e em menor escala como planta medicinal. Na cidade de Goiás, a baunilha também é usada em chás e xaropes com fins medicinais. Também é usada em práticas do candomblé. Para a conservação, quando a “banana” estiver madura, é preciso esperar em torno de 10 dias para que ela desidrate e possa ser colocada em conservas com açúcar, que pode durar anos. O açúcar da conserva costuma ser usado no leite e em mingaus. É vendido por unidade.

Geralmente o próprio produtor que vende ao consumidor, sem intermediários. Quando há intermediários, é por meio de dois comerciantes do Mercado Municipal. O valor comercializado na Cidade de Goiás costuma ser justo, além do mercado garantir o contato direto entre produtor e consumidor.

A baunilha do cerrado tem uma relação forte com a história de Cidade de Goiás, também conhecida como Goiás Velho. Cora Coralina gostava muito de usá-la em suas receitas de doces de frutas. Apesar de nos últimos anos ter sido mais cobiçada por chefs brasileiros e estrangeiros para receitas variadas, como doces e carnes, na Cidade de Goiás a baunilha do Cerrado é mais usada como planta medicinal, bastante requisitada para tratamento de tosses e pneumonia, em forma de xarope ou chá. Alguns populares a cultivam em casa, mesmo ela não crescendo como na mata, para produção de xaropes. Também existe um laço com a prática do candomblé na região.

Estado/Região/Território: Goiás

Municípios: Cidade de Goiás

Referência da Comunidade: Helena Leão Barbosa, (62) 99389 4814

Esta Comunidade do Alimento foi incluída pelo projeto:

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