Slow Food Brasil

Cadastre o seu e-mail e receba novidades:

A história da produção vinífera na região de Urussanga é contemporânea à imigração italiana no final do século XIX: colonizada por italianos a partir de 1877, a região conheceu a cultura da videira desde o mesmo período. Videiras foram plantadas logo no início. Trazidas da Itália nos navios, cobertas com musgos para sobreviver à viagem, as primeiras videiras cultivadas na região foram as de Adamo Ceron no rio Carvão e logo em seguida por outras famílias no Rancho dos Bugres.

A produção de vinho nas colônias era desenvolvida por praticamente todas as famílias e cada um produzia seu próprio vinho para consumo. Já em 1887, apenas dez anos após sua fundação, a colônia Azambuja sozinha produzia 8.700 litros de vinho colonial nos porões familiares. Na mesma época, os colonos de Urussanga produziram 13.600 litros. Já entre 1892 a 1906 foram exportados de Urussanga 10.580 litros.

Assim, a Comunidade organiza-se na forma da Associação ProGoethe, que foi fundada em 2005, com o objetivo de promover a união dos produtores da uva e do vinho Goethe, estabelecendo a imagem de um produto nobre e conhecido nacional e internacionalmente. Os produtores comercializam de forma independente de acordo com o mercado que cada vinícola estabelece, de forma que preserva a identidade e cultura de uma população de descendentes de italianos no sul de Santa Catarina. Ela é composta por pequenos produtores que cultivam a tradição através da vinificação e harmonização com a gastronomia típica local.

Na produção, utiliza-se adubo orgânico para cobrir a terra entre as parreiras, como ervilhaca ou aveia. Todo o processamento é manual e obedece o manejo que privilegia a qualidade e não a quantidade de uva, não é utilizado herbicida nas lavouras, e o uso da calda bordalesa (para evitar fungos causados pela alta umidade do local) é controlado.

A uva Goethe é a soma por polinização de uma Vitis Labrusca (uvas não viníferas americanas), no caso, a variedade Carter, com duas viníferas (uvas europeias próprias para a feitura de vinhos), as variedades Moscatel de Hamburgo e Chasellas branca. A Goethe foi a variedade que melhor se adaptou na região e possibilitou aos recém instalados imigrantes italianos a manutenção das tradições de sua terra natal, ao lado de alimentos como derivados do queijo (puina, queijo), embutidos, massas e molhos, panificação e carnes produzidas até hoje nas “colônias” italianas.

Em 2008 foi regulamentada a Lei Estadual Nº 14.389 que denomina VALES DA UVA GOETHE as regiões territoriais de Urussanga, Pedras Grandes, Morro da Fumaça, Içara e Nova Veneza. Neste mesmo ano, a Associação ProGoethe é declarada de utilidade pública municipal de Urussanga pela lei nº 2321. Em 2010 foi concedido o certificado de Reconhecimento de Indicação Geográfica Protegida – IGP.  A Lei Municipal Nº 2457, instituiu o Dia Municipal da Uva e do Vinho Goethe que passa a integrar o Calendário Oficial de Eventos do Município de Urussanga. Em 2012 implantou-se o Conselho Regulador da IP Vales da Uva Goethe com o objetivo de gerir a manutenção e a preservação da Indicação Geográfica regulamentada, seja a Indicação de Procedência, seja a Denominação de Origem dos vinhos, frisantes e espumantes Goethe.

 

Estado/Região/Território: Santa Catarina/Região Sul

Municípios: Urussanga, Pedras Grandes e Içara

Referência da Comunidade: Patricia Mazon - 48 3465 1500 ou 99921 9616 - patricia@mazon.com.br

 

Esta Comunidade do Alimento foi atualizada pelo projeto:

 logo projeto completa

Conheça mais sobre Slow Food InternacionalFundação Slow Food para BiodiversidadeTerra MadreUniversidade das Ciências Gastronômicas

» SLOW FOOD BRASIL | Login »»

© 2013 Slow Food Brasil. Todos os direitos reservados aos autores das fotos e textos.
Não é permitido reproduzir o conteúdo deste site sem citar a fonte, link e o autor.
Design e desenvolvimento: DoDesign-s