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Mandaçaia é uma espécie de abelha, nativa do Brasil, sem ferrão também chamada de manaçaia e amanaçaia, caracterizada pelo visibilidade das quatro listras amarelas no corpo negro. Medindo cerca de 1 centímetro, o território perfeito para essa abelha são regiões secas, em especial o norte da Bahia. O ninho localiza-se em ocos de árvores, cuja entrada é pequena e construída com uma mistura de barro ou terra e resina, o geoprópolis de mandaçaia. A entrada do ninho geralmente é vigiada por uma abelha, justificando a origem da palavra indígena, que significa vigia bonito. Dentro do ninho, são encontrados potes feitos de geoprópolis, onde são armazenados o mel, fonte de alimento das abelhas e o pólen, principal fonte de proteínas do animal. 

O mel das abelhas sem ferrão, geralmente são silvestre ou heterofloral, proveniente de diversas fontes florais, apresentando uma variedade de tipos de pólen em sua composição. Uma vez que as abelhas armazenam o pólen nos potes de geoprópolis, ele passa por um processo de fermentação, onde é misturado com um pouco de mel e ácido segregado pelas glândulas salivares das abelhas, resultando em uma espécie de pasta de cor amarelada, de sabor levemente ácido, o samburá de mandaçaia.

Por ser rico em proteínas, aminoácidos (incluindo os essenciais aos seres humanos), lipídeos, açucares, minerais, vitaminas (C, A, E e complexo B) e caroteno, o pólen e consequentemente o samburá são empregados em tratamentos medicinais caseiros. Tradicionalmente o samburá, como é chamado popularmente, ou o pólen, ainda hoje é utilizado como cura de enfermidades por comunidades tradicionais e povos indígenas. Moradores da zona rural da Bahia, usam o samburá para deficiências alimentares, estimulador de apetite, tratamento de anemia e problemas intestinais. 

Na apicultura o pólen representa uma fonte de renda complementar e valor agregado ao produto. Porém na meliponicultura, tendo em vista a particularidade e características organolépticas do samburá, seu uso representa uma prática e técnica tradicional nas comunidades tradicionais, povos indígenas e comunidades de meliponicultores no meio rural.

A conservação do samburá na Arca do gosto representa em cuidar tanto da flora que da fauna local, que vem sendo ameaçadas pelas atividades antrópicas, como o desmatamento, o uso desordenado de agrotóxicos, a expansão do peri-urbano e o fraco incentivo para a criação racional das abelhas nativas sem ferrão do Brasil.   

As abelhas são de suma importância para o equilíbrio ecológico, uma vez que grande parte da polinização é realizado pelas abelhas nativas. Por isso, proteger a abelha mandaçaia, através do samburá de mandaçaia, extrapola a proteção de um item, pois atinge todo o bioma ao qual o animal está inserido.

O Samburá é um alimento rico em proteínas, conhecido como "pão das abelhas". É utilizado na gastronomia em molhos para saladas e pastas. Pode também ser misturado com iogurtes, sucos e cereais. Devido as características de suplemento alimentar, o samburá vem sendo ingerido com a finalidade de melhor desempenho em treinos físicos, práticas esportivas, estudos, ou qualquer atividade que demande esforço físico e mental.

Indicado por Generosa Sousa Ribeiro
Revisão de Paulo Dantas e Ligia Meneguello
Este produto foi embarcado na arca pelo projeto
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