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Não existe um consenso entre os autores a respeito da introdução da fruta-pão (Artorcarpus altilis) no Brasil. Nativa do Sudeste da Ásia e Pacífico Sul, alguns acreditam que a mesma foi introduzida na Amazônia brasileira no início dos anos 1800, no Pará e no Maranhão. Mas outros acreditam que esta planta já existia no Brasil. Neste país  é encontrada em quase todas as regiões, especialmente na região amazônica e litoral da Bahia, onde é colhida de forma extrativista. Praticamente não há  plantios comerciais organizados. Muito plantadas em fundo de quintais ou às margens de córregos e rios, servem para o consumo próprio das famílias que a cultivam e para venda do excedente.

A fruta-pão, também conhecida por árvore-do-pão, castanheira, fruta-de-pão, fruteira-pão, pão-de-massa, rima é  uma árvore e clima tropical úmido e adapta-se bem ao litoral, de grande porte e crescimento rápido, podendo alcançar 25 metros de altura. A frutificação inicia-se após 3 a 5 anos de implantação.

Sua folhas são muito bonitas, grandes, perenes e profundamente lobadas. Se for machucada, exsuda um látex leitoso que tem aplicações artesanais, para calafetação e como cola. A fruta-pão é uma planta monóica, isto é, com os dois sexos na mesma planta, e de flores separadas, masculinas e femininas. As flores são pequenas e sem pétalas. A polinização é cruzada, mas a frutificação não depende da polinização.

Tem variedades de frutas com sementes ou sem sementes. A variedade sem semente, mais popular no Brasil,  apresenta  frutos são esféricos grandes (aproximadamente 20cm de diâmetro), podendo atingir até 1 kg de peso. A casca de coloração esverdeada, inicialmente é áspera, recoberta por placas poligonais e lisa quando madura. A  polpa é branca, farinácea, um pouco esponjosa, aromática e adocicada, com muitas sementes, rica em calorias, carboidratos, água, vitaminas B1, B2 e C, cálcio, fósforo, ferro e tem baixo teor de gordura. É uma fruta que tem aproveitamento total além de ter uso na medicina tradicional dos povos.

A fruta-pão é uma espécie pouco cultivada e tem fraco interesse comercial, sendo comum encontrar o fruto nas feiras livres. A fruta é bastante apreciada particularmente pela população rural e pela população urbana de baixa renda. Apesar da sua presença em várias regiões do Brasil, a planta exige um solo fértil e com um bom teor de umidade. A falta dessas condições impede o desenvolvimento da sua frutificação.

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Fruto de fruta-pão. Foto: Kowloonese

A fruta-pão pode ser consumida crua (menos usual) ou cozida. Foi a base alimentar dos escravos e ainda hoje é o alimento das comunidades de baixo poder aquisitivo. Embora seja rico em nutrientes, podendo suprir refeições, ele pode ter não só os frutos utilizados mas também as sementes. Com elas pode-se preparar guisados, além de  muito usadas para engrossar cremes e comidas de origem africana, como o vatapá. Ademais, as sementes podem ser usadas como substituto do feijão. Da polpa dos frutos  pode ser  extraída  uma farinha  muito nutritiva e saborosa, podendo ser usado em diversos preparos.

A farinha de fruta-pão para consumo humano representa uma forma alternativa de aproveitamento e conservação das características nutritivas do fruto. Através de  ajustes tecnológicos, é possível que a mesma possa ser utilizada como matéria prima em bolos, pães e diversos outros produtos, no lugar da farinha de trigo, a substituindo total ou parcialmente.

Em algumas regiões do Nordeste brasileiro o fruto é cozido, descascado e cortado em fatias; após passar manteiga, é comida no café da manhã ou nas refeições noturnas.

Indicado por Maria Conceição Oliveira
Texto por Revecca Cazenave-Tapie
Apoio de Paulo Dantas e Abel Rebouças
Revisão por Ligia Meneguello

Referências
https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/383722/1/DOCUMENTOS41CPATU.pdf
Kinupp, V. & Lorenzi, H. 2014. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil  - Guia de identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas.

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