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A abelha tujuba (Melipona mondury), também conhecida como tuiuva, tujuva, tujuba, mondury, monduri ou mondiri é uma espécie de abelha sem ferrão, nativa da Mata Atlântica, produtora de mel e pólen e importante polinizadora das plantas. A tujuba costuma viver em grande colônias, não possui característica muito agressiva, tendo como único mecanismo de defesa a capacidade de beliscar a pele de quem a ameaça.

É uma abelha exigente em condições ecológicas específicas, o que restringe bastante seu desenvolvimento em ambientes naturais assim como em meliponários (espaços destinados para criação de abelhas sem ferrão). Teve sua população natural muito suprimida e hoje encontra-se em situação bastante vulnerável, o que justifica qualquer iniciativa que contribua para sua conservação e multiplicação.

A produção deste mel é encontrada particularmente no sul do Brasil no bioma da Mata Atlântica. Também tem evidências deste mel em algumas localidades do Paraná, Rio Grande do Sul e nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do país.

É possível colher mel praticamente durante todo o ano, sendo que nos períodos de maio/junho e outubro/janeiro há um aproveitamento maior, dependendo da safra e local de colheita. Seu mel é uma verdadeira especiaria da Mata Atlântica e revela os aromas da flora local com sabor frutado e cor claro viscoso.  A surpresa a cada colheita, o perfume embriagante revelam sabores surpreendentes e a sensação de floresta a cada degustação, conferem todo charme e singularidade deste produto.

melipona-mondury_guaraipo-amarelaACRIAPA.jpgAbelhas tujuba na entrada da colônia. Foto: Acriapa

Este mel sempre fez parte da cultura tradicional dos povos  indígenas guaranis, etnia local da região Sul e Sudeste do Brasil. Era largamente utilizado para fins medicinais, sendo consumido para curar enfermidades como doenças respiratórias, debilidade imunológica, cicatrizações, queimaduras dentre outras utilidades.

Devido à falta de organização na cadeia produtiva e à falta de perspectiva de comercialização, não encontramos facilmente esse mel nos mercados de produtos do gênero. Outro fator que limita sua divulgação e ampliamento de mercado são as leis sanitárias vigentes no Brasil, que exigem que os produtores  se enquadrem em parâmetros muitas vezes distante das realidades do homem do campo. Esta variedade de mel juntamente com as demais dessa categoria são eventualmente encontrados para comércio em circuito de feiras orgânicas e empórios de alimentos naturais.

Vários fatores acentuam o risco de desaparecimento do mel de tubuna, tais como: a falta de incentivo e pesquisa, tanto na produção quanto na comercialização; dificuldade na legislação, tanto na produção e comercialização; pouca literatura a respeito, o que acarreta em falta de conhecimento pelo consumidor, e o pouco aproveitamento nos meios gastronômicos. Apesar deste quadro,  chefs e cozinheiros já começaram a desenvolver algumas receitas com as espécies de abelhas nativas brasileiras, demonstrando-as em eventos gastronômicos. Desse modo, podemos dizer que esse quadro terá mudanças já nos próximos anos.

Além do seu uso medicinal, também  foi muito presente na cultura gastronômica, utilizado em refrescos e pratos típicos assim como em ocasiões cerimoniais. Este produto não é produzido em grande quantidade, somente cerca de 500 kg por ano.

A grande maioria da produção desse tipo de mel é para consumo familiar. Poucos produtores possuem escala comercial e  vendem o excedente, tendo como fonte de renda complementar.

Nota-se que a maioria dos produtores dessa espécie de abelha mantém essa prática como hobby ou simplesmente pelo amor em criar tujubas e tê-las sempre por perto.

Indicado por Pedro Farias Gonçalves
Texto e pesquisa: Revecca Tapie e UESC
Revisão por Ligia Meneguello

Referências:
https://hbjunior19.wordpress.com/2014/08/22/abelhas-sem-ferrao-descricao-das-especies-stingless-bees-description-of-species/
http://www.ruralnews.com.br/visualiza.php?id=967
http://meliponariodosertao.blogspot.com.br/2009/07/aproximacao-do-periodo-de-colheita-de.html
http://moure.cria.org.br/catalogue?id=34783
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S1676-06032015000300102&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

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