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“Melato” é uma palavra que, na Biologia, refere-se às secreções em forma de líquidos açucarados, produzidas por um grande número de espécies de insetos homópteros que vivem como parasitas sugadores da seiva elaborada das plantas. Estes líquidos açucarados são procurados e colhidos pelas abelhas como se fossem néctar e são submetidos aos mesmos processos usados na produção do mel floral. O produto final, entretanto, é o “Mel de Melato”, diferente em propriedades físicas, químicas e organolépticas. Além do Brasil, méis de melato podem ser encontrados em países como Alemanha, Turquia e Nova Zelândia.

O Mel de Melato da Bracatinga provém de secreções de Cochonilhas (insetos sugadores) que infectam o tronco da Bracatinga (Mimosa scabrella), árvore da família das leguminosas. A abelha que explora o melato para a produção de mel é a Apis mellifera, espécie popularmente conhecida como “Italiana”, “Africana”, “Europa”, entre outros nomes.

A Bracatinga é nativa da Floresta Ombrófila Mista (Mata de Araucária), formação vegetal típica da Região Sul do Brasil, e é encontrada especialmente em áreas de regeneração.  A incidência da associação Cochonilha-Bracatinga, entretanto, é restrita, ocorrendo principalmente nos municípios do Planalto Serrano Catarinense. A secreção do melato é bianual, ocorrendo apenas em anos pares, e a safra se dá entre março e maio.

Bracatinga (Foto: Valerio Pillar)

O mel de melato possui uma coloração escura, relativamente menos doce e ligeiramente mais amargo que os méis de néctar floral.

Durante muitos anos o mel de melato foi motivo de dor de cabeça aos apicultores de Santa Catarina, os quais tomavam muito cuidado para retirar suas abelhas antes que elas “sujassem” o mel floral com o de melato. Os que se aventuravam a produzir ficavam com o produto encalhado na prateleira.  Foi no ano 2000 que este cenário mudou, quando amostras enviadas para a Alemanha por um exportador tiveram grande aceitação. Hoje o mel da Bracatinga tem o posto de mel mais bem pago do país, com preço até 20% mais alto que o mel floral.

A principal região produtora do mel de melato da bracatinga é o Planalto Serrano Catarinense, correspondendo aos seguintes municípios: Bom Retiro, Urubici, Rio Rufino, Lages, Bocaína do Sul, Correia Pinto, Otacílio Costa e Ponte Alta.

O mel de melato não está sob ameaça de desaparecimento eminente, mas a sua existência está intimamente ligada a manutenção das Matas de Araucária – ecossistema extremamente pressionado pelas atividades produtivas desenvolvidas na Região Sul do Brasil – e seus processos naturais de regeneração.

Apesar de ser uma planta pioneira, cujo desenvolvimento é de certa forma beneficiado pela regeneração que sucede o comum processo de degradação, a Bracatinga também é pressionada pelo uso direto. Sua madeira de crescimento rápido é utilizada na construção civil e também como lenha, servindo de fonte de energia para secagem de fumo e padarias.

Produto indicado por: Paulo Pennaforte Vieira
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