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As vieras (Nodipecten nodosus) enfrentam risco de extinção devido às técnicas de pesca comercial que não respeitam o ecossistema dos moluscos ou das comunidades nativas. Elas são moluscos bivalves de ambiente marinho que vivem em fundos rochosos ou arenosos. Suas conchas aos dois anos de idade possuem em média 8cm de diâmetro, mas indivíduos adultos e matrizes podem ser maiores, chegando a 20cm.  As conchas podem ser aproveitadas para decoração, artesanato ou para servir preparos culinários.

As partes comestíveis da vieira são o músculo, as gônadas e a manta. O músculo se assemelha a um medalhão, é a parte mais clara, quase branca e central do interior da concha. Seu sabor é delicado, sua carne tenra e o sabor levemente adocicado.  As gônadas são esbranquiçadas (masculinas) e laranja-coral (femininas). Como são seres hermafroditas, possuem ambos os sexos no mesmo indivíduo. As vieiras são organismos filtradores se alimentando de pequenos organismos e partículas em suspensão na água. A abundância populacional de fitoplâncton desencadeia a desova da vieira. Na costa norte de Santa Catarina, também conhecida como Costa Esmeralda (a água fica com cor esmeralda devido à concentração de fitoplancton), isso ocorre no inverno e no verão.

Na costa catarinense, o consumo das vieiras era basicamente para subsistência das comunidades pesqueiras que encontravam o molusco no mar. Geralmente eram cozidas no bafo e consumidas com limão. Tradicionalmente, provinham apenas de extrativismo.  

IMG_8452_peq.jpgFoto: Bernardo Simões

Nos anos 80, embarcações de grande porte começaram a pescar camarões com rede de arrasto, implementando cabos de aço para facilitar a coleta e afetando os estoques de vieiras. Em apenas seis anos de pesca desordenada os estoques naturais chegaram ao seu limite.

Hoje, maricultores se interessam pela espécie nativa devido a sua qualidade alimentar e rentabilidade do cultivo. Em 1997, a comunidade de maricultores de Porto Belo (SC), formada por pescadores e moradores, fundou  a Associação de Maricultores como fonte alternativa de trabalho, resgate e conservação cultural e ambiental. Em uma área marinha geograficamente delimitada pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), produz-se artesanalmente ostra, marisco e vieira, com o propósito da produção de alimento com qualidade.

A produção de vieiras, assim como a de ostras, é feita com varais de cabos, sustentados por bóias, mantendo os cabos na superfície onde se encontra a maior quantidade de alimentos. Essa forma de cultivo é também chamada de modo espinhel, pois se assemelha a um modo de pesca feito em alto mar. As lanternas ficam penduradas a uma profundidade de 5 metros e são manejadas constantemente para que se remova a incrustação marinha e selecione-as por tamanho. O ciclo de vida das vieiras no cultivo é de 2 a 3 anos para que tenham tamanho de 7cm a 9cm.

Na maricultura esses cabos são usados para pendurar as bolsas, caixas e lanternas onde são colocadas as vieiras e ostras durante seu período de crescimento. As larvas são produzidas em laboratório, e depois são colocadas em bolsas e penduradas nos cabos. Passado um tempo se alimentando e crescendo, os indivíduos são passados para caixas, também penduradas nos cabos, por fim, serão colocados nas lanternas onde permanecem até a sua comercialização.
Apesar das vieiras serem encontradas por toda a costa atlântica do continente americano, as vieiras da costa catarinense são pescados com ênfase na relação entre comunidade local e natureza. Nesta área, é estimada que cerca de 28 toneladas de vieiras são pescadas anualmente, e vendidas diretamente pelo maricultor ou por meio de cooperativas e outras associações. No entanto, os estoques naturais estão ainda em recuperação da atividade de pesca de arrasto e seus efeitos ambientais de longo prazo.

Indicação: Bernardo Simões
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